Assim como as fitas cassete, os telefones de linha e a transmissão de TV, um dia, a frase “montagem necessária” pode ser completamente estranha para as crianças, com pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte dando outro passo importante na criação de objetos que se montam automaticamente.

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Em 2011, noticiamos as primeiras tentativas da equipe de pesquisadores de criar objetos de origamis automontáveis que usavam linhas pretas impressas em folhas de plástico — não diferente dos populares brinquedos Shrinky Dinks — para se autodobrar quando expostos a luz ultravioleta. As porções pretas absorviam luz e encolhiam, fazendo a folha plana se dobrar em formato tridimensional.

Entretanto, a complexidade dessa forma 3D era limitada, considerando que todas as dobras aconteciam ao mesmo tempo. Se você já fez um cisne de origami de uma só folha de papel, você sabe que há uma sequência específica de dobras a seguir.

Para criar estruturas autodobráveis mais complexas, os pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte simplesmente acrescentaram um pouco de cor. Em vez de apenas imprimir linhas pretas sobre as folhas de polímero planas, tintas coloridas foram utilizadas, que reagiriam, ou não, baseadas na cor da luz a que estavam sujeitas.

Objetos de cores diferentes absorvem e refletem diferentes comprimentos de onda de luz — a razão pela qual algo parece vermelho é porque está absorvendo todas as cores da luz, exceto aquele tom. Ao atribuir às linhas de dobragem das folhas de polímero planas uma cor específica, os pesquisadores conseguiram controlar a sequência de dobras “abastecendo-a” com diferentes cores que desencadeavam as dobras uma a uma.

Esse é um avanço que qualquer um que tenha perdido incontáveis horas — ou um relacionamento amoroso — enquanto tentava montar móveis da Ikea irá apreciar. Mas há aplicações mais práticas para essa pesquisa, incluindo satélites compactos que desabrocham em estruturas complexas no espaço, robôs complexos que ainda são pequenos o bastante para caber em áreas em que humanos não conseguem ou proteínas autodobráveis que podem ser ser direcionadas para funções específicas no corpo humano. Além disso, você já tentou dobrar um origami? Não é fácil.

[Science Advances via New Atlas]