O Mac Pro é uma afirmação. Com um gabinete ventilado que lembra um ralador de queijo, ele é uma homenagem e um avanço ao Power Mac G5 – que os fãs afetivamente também comparavam com o acessório de cozinha.

Com a atual geração do processador Intel Xeon, é um dispositivo Apple que finalmente parece ter sido lançado a tempo e no mesmo nível da concorrência. Ainda assim, a GPU e SSD insossos que vêm no modelo base que custa US$ 6.000 parece incongruente com o restante do design – a ponto de eu perguntar a mim mesma enquanto saía da sala de demonstração que a Apple montou para o computador: será que ele vale esse preço todo?



Os melhores produtos da Apple são caros, mas vêm com um acabamento tão bom que parecem valer a pena. Eu amo o meu MacBook Pro: eu gosto da TouchBar que mal uso e curto o quão rápido ele é. E eu adoro a variedade de portas Thunderbolt, também.

Da mesma forma, o iPad Pro e o iPhone XS são dispositivos caros que parecem valer seus preços sugeridos – pelo menos nos Estados Unidos e em comparação com a concorrência direta. A experiência, desde o hardware até o software, é boa o suficiente para justificar o gasto.

Mas outros dispositivos não valem a pena – principalmente o MacBook e o MacBook Air. São dispositivos de gama média com hardware datado e que fazem os preços inflacionados parecerem obscenos.

Apple Mac Pro de ladoFoto: Alex Cranz/Gizmodo

O Mac Pro, que começa em absurdos US$ 6.000, parece se encaixar facilmente nesta última categoria – caro demais e com potência insossa. Mas será que é isso?

O modelo base tem uma nova GPU baseada em uma arquitetura antiga, apenas 256 GB de armazenamento com SSD e, notavelmente, uma CPU de aproximadamente US$ 1.200 – o processador de 28 núcleos do qual a Apple se gabou custa mais do que o dobro disso no varejo e provavelmente aumenta muito o preço da máquina.

Os outros componentes no modelo base provavelmente custariam mais do que US$ 2.500 caso você decidisse montar uma máquina equivalente. Ou seja, numa primeira olhada, parece que o “preço Apple” é absolutamente absurdo. Depois de fazer as contas na minha cabeça, fiquei chocada.

Comecei a olhar com calma para os detalhes e esse preço começou a fazer sentido.

O computador tem muita flexibilidade e capacidade de desempenho quando você olha para suas entradas e saídas, embora seja fácil ignorar isso numa primeira olhada.

A traseira do Mac Pro é desprovida de portas se comparado a uma típica máquina Windows. Há algumas portas Ethernet e USB-A, duas portas Thunderbolt 3 e tudo parece ser muito limpo. Há ainda outras duas portas Thunderbolt 3 no topo.

Portas da traseira do Mac ProFoto: Alex Cranz/Gizmodo

Isso é importante porque portas Thunderbolt 3 geralmente não vêm nas placas-mãe de desktops – especialmente naquelas voltadas para consumidores. Você precisa ir para o lado profissional do mercado para encontrá-las.

O mesmo acontece com os incríveis oito slots PCIe do Mac Pro.

É mais provável que você encontre isso em estações de trabalho profissionais feitas por competidoras como HP e Dell.

O gamer médio ou consumidor procurando se iniciar em vídeos não precisa de toda essa flexibilidade. Você só precisa desses slots se for um profissional que precisa de uma conexão de fibra direto na sua máquina, ou uma série de GPUs para lidar com renderização em 8K.

Eu e você? Não precisamos de tudo isso.

Do mesmo jeito que não precisamos de 1,5 TB de RAM que podem ser incluídas no Mac Pro.

Não precisamos nem nunca vamos precisar de 1,5 TB de RAM. Mas uma pessoa que trabalha com imagens digitais pesadas ou projetos de vídeo em 8K? Eles sim. E era um sonho impossível para esses profissionais até ontem. A maioria das estações de trabalho só suportavam metade dessa quantidade de RAM ECC caríssima que a Apple está incluindo nos 12 slots DIMM do Mac Pro.

Estrutura do Mac ProFoto: Alex Cranz/Gizmodo

Considerando tudo isso, e quanto custaria montar uma máquina similar, o preço do Mac Pro começa a fazer sentido. Um dispositivo similar com o modelo base de US$ 6.000 do Mac Pro custaria mais de US$ 9.000 na HP e perto de US$ 6.300 na Dell. E isso não inclui as portas Thunderbolt 3 extras, ou a capacidade de suportar 1,5 TB de RAM.

Não é apenas sobre as especificações do computador e da potência de IOPS. São as pequenas coisas que me fazem pensar que o modelo premium da Apple possa valer a pena.

Considere como esse monstro foi montado e projetado para receber refrigeração para que você não precise se complicar com water coolers.

Leve em consideração que a Apple tinha todo o controle sobre o ambiente de demonstração, mas quando eu vi o Mac Pro em ação ontem, não ouvi nenhum barulho de ventoinhas enquanto cenas em 8K eram reproduzidas em tempo real em três monitores. O gabinete parecia estar gelado quando toquei nele. Isso me parece impressionante.

Também parece incrível o Afterburner FPGA (um FPGA é um processador geralmente projetado para tarefas específicas de nicho, como os FPGA encontrados em emuladores de consoles). O chip customizado que a Apple desenvolveu é projetado para acelerar o codec ProRes que editores de filmes avançados utilizam. Parece, olhando por cima, ser algo bem incrível – ele permite que computador lide com materiais 8K sem engasgar.

Anshel Sag, analista da Moor Insights & Strategies, me disse por e-mail que “acelerar o processamento de vídeo é algo muito importante” para a produtoras e editores de vídeo. Mas ainda não sabemos muitos detalhes sobre o Afterburner em si. “Foram dados pouquíssimos detalhes sobre ele durante a apresentação”, disse Sag.

Detalhe do design de refrigeração do Mac ProFoto: Alex Cranz/Gizmodo

Sabemos, no entanto, detalhes da GPU que vem no pacote. A Radeon Pro 580X encontrada no modelo base é, no papel, bastante tímida. Ela utiliza a arquitetura Polaris, que é antiga – lançada em 2016. Fora que os 8 GB de RAM DDR5 parecem insignificantes.

É importante notar nenhum dos Mac Pros que a Apple demonstrou em uma situação externa ao evento usavam essa GPU, o que não ajuda muito na imagem da Radeon Pro 580X, já que seu desempenho poderia não ser tão bom em comparação com as outras placas oferecidas. (A Apple optou por demonstrar máquinas com placas de vídeo mais poderosas e caras baseadas na arquitetura mais nova, chamada Vega).

Isso não quer dizer que podemos chutar a 580X para escanteio. Eu ainda penso no módulo MPX que a Apple utiliza para colocar cada GPU. Há o potencial de tirar mais performance dessa GPU com esse módulo.

Com o Mac Pro, você não vai simplesmente comprar qualquer placa gráfica e encaixar na máquina (teoricamente, você poderia fazer isso). Em vez disso, você vai procurar uma GPU que possua um módulo MPX, que é projetado para manter o núcleo da placa mais frio do que as opções padrão da AMD.

Esse acessório dá ao chip interno suporte para o Thunderbolt 3, enquanto permite que a Apple e a AMD desenvolvam GPUs customizadas que se combinam-se com mais GPUs – tudo em uma mesma placa.

Monitor 6K e Mac Pro lado a ladoFoto: Alex Cranz/Gizmodo

Isso é bem legal. E é tão legal que justifica usar uma 580X em vez de algo mais recente como as GPUs AMD baseadas na arquitetura Navi, anunciadas semana passada na Computex? Não tenho certeza.

Não tenho certeza de muita coisa. Estou em conflito.

Há muito poder de engenharia e muitas tecnologias impressionantes que fazem com que o Mac Pro pareça valer o “preço Apple”. Particularmente depois de ter visto as demonstrações.

Mas até que possamos abrir essa coisa e tentar renderizar algumas cenas em 8K em tempo real fora de uma situação controlada, é difícil dizer que ela é maravilhosa. Por enquanto, ela é impressionante, mesmo se parecendo o ralador da minha cozinha.