Os habitantes de Brasília (por um acaso minha querida cidade natal) poderão assistir, a partir da próxima quarta-feira, Caminho das Índias em alta definição. A capital federal é a 16ª cidade do País a ter a transmissão do sinal digital de alguns canais abertos. Até aí nada demais. Só que os brasilienses gostam de obras superfaturadas grandiosas. E não bastaria usar, digamos, um negócio de metal chamado "Torre de TV" para colocar as novas antenas. Seria necessário um novo monumento, criado pelo mesmo Oscar Niemeyer de todos os outros monumentos da cidade – curiosamente, menos a Torre de TV. A Flor do Cerrado, esse bicho aí embaixo de 170 metros de altura, que parece uma caixa d’água dos Jetsons, deveria abrigar todas as antenas. Mas não ficou pronta a tempo. O jeito foi fazer gambiarras.

Num primeiro momento, apenas Globo, TV Justiça e TV Brasil disputarão audiência em HD. Como eu não ganhei passagens de deputados, por enquanto não poderei assistir a um julgamento do STF em uma TV full-HD, uma pena. E enquanto a flor não desabrocha, algumas emissoras terão de usar uma torre da rede elétrica e outras aproveitarão a superlotada Torre de TV, no centro da cidade.

Anunciada em fevereiro do ano passado e com custo previsto de R$ 20 milhões, a obra ainda não foi autorizada pelo Ibama e já está custando R$ 64 milhões. Além de servir como torre, a Flor terá restaurante e mirante lá no alto, mas sem elevadores panorâmicos, porque Niemeyer acha feio. A obra, ao que parece, ficará pronta a tempo do aniversário de 50 anos da cidade, ano que vem.