Um dos motivos de eu ter poucos posts ontem e hoje, com várias histórias interessantes, é que resolvi instalar o Linux no meu netbook novo. Não que a instalação seja difícil (facílima, dependendo da distro é o melhor SO para você instalar quando não se tem drive de CD), mas é que, quando eu quis pensar fora das coisas estupidamente básicas, não consegui ir muito longe. Qual é o problema? [UPDATE]

Escolhi o Ubuntu Netbook Remix, uma variação do Ubuntu 9.04 feita para telas pequenas, distribuída pela Canonical. Excelente interface. Ícones grandes, boa organização, fonte e tudo o mais – o que você precisa está lá de cara, wi-fi sendo detectada mais fácil que no Windows XP (que parece mais velho a cada dia); Firefox, Writer, Pidgin e tocador de músicas pré instalados, tudo maravilha. Não chegou a economizar mais bateria como esperado, mas aguentou o mesmo tanto que o XP. 

Mas aí eu resolvi assistir um vídeo no Youtube. Na hora de baixar a versão do Flash, havia 4 opções. Tentei a primeira, segunda, terceira, nada. Ou faltava algum componente, ou o comando no terminal não adiantava. PAUSA. Comando no terminal. Quem usa isso? (Sim, tentei uma interface gráfica de instalação como o Synaptic Package Manager e baixei todos os pacotes de atualização.) Eu não vou entrar em detalhes técnicos, mas a quantidade de páginas que eu vi de soluções possíveis (e tentativas infrutíferas) foi monstruosa para um SO que só tem 1% dos usuários. E, como provam os vários fabricantes de netbook que tentaram embarcar computadores com distribuições do Linux, mas voltaram atrás pelo excesso de reclamações, eu não estou sozinho.

Eu sabia tudo no DOS, tinha meus autoexecs e config.sys personalizados pra cada um dos jogos, na época que liberar o tanto certo de EMS era uma ciência. Mas gastar esse tempo, hoje, faz pouco sentido para mim, que sou usuário e não desenvolvedor, não exatamente um entendido no assunto.

Tenho certeza que se eu gastar mais algumas horas eu resolvo o problema, mas eu vou me deparar com outros — como apertar um botão e tentar rolar a barra vertical ao mesmo tempo sem a seta enlouquecer —, e eu vou ter que passar por um martírio para resolver. Para quem já é iniciado, é mais fácil, basta se acostumar. Mas para quê? É possível ser fã do Linux sem um pingo de ideologia — meio de esquerda, anti-grandes corporações e tal? O que ele faz melhor, de verdade?

Eu o instalei porque, bem, escrevo sobre tecnologia e quero entender a mesma língua que uma parte expressiva (ao menos vocalmente expressiva) dos meus leitores. Tenho simpatia ideológica pelo projeto de colaboração. Mas pra alguém comum, vale o esforço, hoje? Tudo pra mim é meio complicado, até o projeto 100 paper cuts, que busca mapear 100 coisas irritantes do Ubuntu para o usuário ateu. É mal organizado, mal escrito, não é falado pra fora. Como fazer o Linux virar mainstream? Precisa?

Eu tenho fé que a Intel, investindo mais no Moblin, ou o Google com o Chrome OS, peguem isso e façam a experiência mais palatável para o usuário mediano. Outras experiências de software livre, como o Firefox, são extremamente bem-sucedidas. Mas hoje, sem contar a consciência limpa de não ajudar corporações criadas pelo demonio em pessoa, o que eu ganho com o Linux? Estou perguntando de coração aberto. Não me leve a mal. De novo, gostei da interface com o usuário até agora, vou seguir tentando, senão passo para o Moblin, ou mesmo um hackintosh.

E, na boa, gosto de desafios tecnológicos: montar computadores, caçar aplicativos no Symbian, calibrar por 10 minutos minha TV para ter o contraste perfeito para aquele filme. Mas fora este inegável masoquismo que acomete os geeks (o mesmo que me faz zerar o jogo de novo numa dificuldade maior para ganhar achievements), qual é a ideia? Iluminem e vamos conversar, civilizadamente, nos comentários.

De cara, vou deixar minha opinião sobre dois argumentos que certamente vão aparecer.

1) Não pega vírus que nem o Windows. Falso. Pode ser pretensão, mas o usuário bem-entendido de tecnologia (o que instala o Linux), não abre powerpoints por e-mail, não clica em links bizarros no Orkut, sabe detectar quando é um bot tomando conta do MSN do amigo… Sério. Esse cara pega vírus? Faz bastante tempo que eu não tenho um no meu. Não seria mais uma questão de educação do usuário, de não usar produto pirata e perpetrar um comportamente de risco e tal?

2) É mais barato. Ok, zero é mais barato que qualquer licença de Windows XP. Mas eu perdi algumas horas do meu tempo de trabalho, o que significa dinheiro. Quanto custa minha hora? Será que ter o Linux é mais barato, mesmo? Uma reportagem bem bacana que li recentemente diz que Dinheiro é tempo. Em outras palavras: se você tem dinheiro, você não gasta o tempo de sábado fazendo faxina (consegue uma diarista), paga 10% a mais para que o ingresso do show chegue na sua casa e você não precise enfrentar a fila da bilheteria e tudo. Não é a mesma coisa com um Sistema Operacional – você paga para gastar menos tempo domando-o?

Com certeza há outros pontos, e temos um fim de semana para conversar sobre isso. Na segunda eu seleciono os mais interessantes e reposto aqui. De novo: eu não estou partindo de um pressuposto. Eu estou contando minha experiência para que vocês me ajudem a entender melhor este universo muito louco do pinguim. Mandem bala.

UPDATE: Instalei o Moblin, interface realmente diferente, proposta bacana. Mas não funcionava nem o wi-fi nem tocava arquivos que não fossem ogg vorbis. Voltei ao Ubuntu, formatei tudo, instalei de novo. Tentei o flash por outros caminhos (como instalar por outro aplicativo que não fosse Youtube) e nada. Mas gastei mais tempo no Synaptic e consegui. Funciona agora! Há ainda uns dois pequenos bugs, mas só o fato de eu estar fazendo esse update via Ubuntu já é algo, certo?

Parabéns pela discussão aí embaixo. Tô realmente orgulhoso dos leitores aqui.