O movimento ambientalista teve seus altos e baixos desde os anos 60 – época em que entrou em voga. Nos últimos anos, ele ganhou força com Al Gore e companhia fazendo campanhas maciças pelo fim das emissões de carbono. Pronto, estava feita a cama para que a palavra "sustentabilidade" entrasse na moda e as empresas quisessem ser vistas como "amigas do meio ambiente". Mas tem umas que forçam a amizade.

Como a Embraer, que promove o seu avião agrícola Ipanema (esse aí da fotinho) como um veículo que causa "impacto menor sobre o meio ambiente" por ser movido a álcool. A aeronave, há quase 40 anos no mecado voando a gasolina, ainda não fez tanto sucesso em sua versão "verde", criada há quatro anos – por isso a Embraer fez algum barulho com o Ipanema no Agrishow do último fim de semana. E ok, ele pode até poluir menos, mas o fato de você ter que bombar as plantações de cana de açúcar para produzir esse combustível causa um impacto, não?

Mas o mais bizarro não é isso – o avião é usado para pulverizar defensivos nas plantações. WTF! Como um avião de pesticida pode ser ecológico, meu amigo? Nos anos 1980, a gente aprendia que os pesticidas são caras maus porque contaminam os lençóis freáticos e causam um monte de outros problemas para o ambiente. Será que mudou alguma coisa de lá pra cá? (Ok, lendo os comentários aparentemente mudou. Que bom! =))

Se você não se importa com essas questões todas e quer simplesmente ter um aviãozinho meio esquisito, com escolha duvidosa de cores, o Ipanema pode ser seu por R$ 642 mil, na versão a álcool. GPS e ar-condicionado inclusos.