Almir Narcizo, presidente da Nokia do Brasil, disse à Folha hoje que a Nokia está muito bem obrigado, e o iPhone não representou ameaça no Brasil. "Tanto a canadense [RIM] quanto a Apple têm uma participação infinitamente menor [no mercado de smartphones do Brasil], na casa de um dígito, mas um dígito muito pobre."  Segundo outra reportagem do jornal, hoje, as vendas do celular da Apple não passaram de 175 mil unidades em um ano. Um "fracasso", para as operadoras. Seeerá?

Citando como fontes "alguns institutos de pesquisa" e "outras fabricantes", a Folha diz ter chegado a esse número. E elenca como fatores para o fiasco o alto preço (exigência da Apple, segundo a reportagem, que queria elitizar o produto) e os planos de dados caros. Não dá o nome de uma única fonte. Na verdade a única pesquisa que conhecemos foi a divulgada pelo instituto Gartner, em agosto, que mostra o iPhone com vendas de 175.900 unidades, ainda atrás da RIM no mercado. Veja:

Esses números não querem dizer muito em termos de volume de vendas: a Nokia, no mesmo período analisado, teria vendido quase 15 milhões de celulares no País, segundo o instituto.  

Ainda assim, esses números são meios estranhos, se você considerar que um outro estudo, da Predicta, diz que 46% dos acessos à internet por celulares no Brasil são feitos a partir do iPhone. Aqui no Giz mesmo, o iPhone ganha de lavada (dados do último mês):

Importante notar que a pesquisa da Gartner só leva em consideração os iPhones vendidos oficialmente, via operadoras. Eu conheço várias pessoas que tinham o aparelho antes de ele ser lançado aqui, um ano atrás.

Com os números e a reportagem meio duvidosa, temos: 
a) As pessoas que têm smartphones de outras fabricantes não usam a internet
b) Os números de venda do iPhone no Brasil estão errados
c) O mercado de smartphones no Brasil ainda é ridiculamente pequeno
d) Todas as anteriores

Em tempo: procuramos a Apple, ainda sem resposta. As operadoras não divulgam vendas de aparelhos especificamente. [Folha]