Há 2 meses, a Samsung apresentou sua linha 2009 de TVs, incluindo as maravilhosas LCD com iluminação traseira por LED feitos no Brasil. Na época, falaram que aqueles televisores iriam virar centro de entretenimento, conectar à internet para ler notícias e ao computador da casa para assistir filmes. Como eles não mostraram exatamente como funcionava, ninguém deu muita bola. Hoje eles nos chamaram de novo como aquele filho que fica dando cambalhota pra mãe, "ei, olha o que eu sei fazer!". O resultado, se bem bacana mas não impressionante, pelo menos mostra um caminho muito interessante. De início: você pode ler notícias importantes enquanto vê TV, com aquela barrinha da CNN ou BandNews sendo transportada para o que quer que você esteja fazendo – cortesia do Terra. No futuro: aposentadoria de qualquer intermediário próximo à TV.

Para conhecer melhor do projeto, dê uma olhada no hotsite que o Terra criou, aqui.

A interatividade está presente em 7 modelos da linha 2009 – os LCDs da série 6, os de plasma da série 6 e 8, e os de LED da série 7 e 8, obviamente os mais caros nas respectivas classes, todos full-HD (encontra-se a LED de 40” por R$ 6.650 e a Plasma de 63”, R$ 12.700) . Para suportar a conectividade, todas têm entrada ethernet e USB – para você conectar um dongle Wi-Fi (inclusos nos modelos mais top), se preferir. A memória de cada é flash, de 1GB ou 2GB, expansível por pen-drives.

O mais bacana é que as novas TVs eliminam a necessidade de intermediários como um videogame para acessar o conteúdo de entretenimento de casa. É – ao que eles disseram, quando chegamos já estava configurado – fácil de configurar, e a TV pode ler arquivs .mpeg, avi e com compressão divx, além de músicas e fotos.

Mas a coisa mais comemorada no anúncio hoje foram as parcerias mundial com o Youtube e local com o Terra. Por causa disso, há widgets (acessáveis enquanto está se assistindo alguma coisa) que permitem ver notícias, previsão do tempo ou vídeos no Tubo. Por notícias, leia-se alguma coisa vinda do Gizmodo também – somos parceiros do Terra, para quem não sabe. Então você pode ler na sua TV de LED uma resenha sobre a TV de LED, numa metalinguagem tecnológica incrível.

Mas voltando: tudo foi adaptado para visualização na TV, com as fontes sendo grandes e os menus com bastante contraste. Para buscar vídeos no Youtube, digita-se a busca como no teclado alfanumérico do celular. O recurso de autocompletar é bacana, e a digitação de "har" trouxe como primeira sugestão o trailer HD de "Harry Potter and the Half Blood Prince", o que deveria demorar 3 dias para digitar. Nice touch. Em uns 10 segundos o vídeo carregou e foi visto sem soluços, em tela cheia.

É possível ajustar o nível de opacidade das telas de notícia, por exemplo, para que você possa assistir o que se passa no fundo – um videogame, por exemplo – enquanto sua amiga chata quer ler a notícia sobre a Fazenda. O recurso "Ticker" faz com que as notícias principais (não dá para selecionar um canal específico como esportes, infelizmente) fiquem passando embaixo da tela. Gostou de uma, clica-se nela e é maximizada, com fotos e vídeos, se houver. Os menus foram acessados e carregados com velocidade – mais rápido que no Wii, certamente. O pré-requisito é uma conexão de 1 MB, certamente algo que não é problema para quem consegue pagar uma TV de LED bacana.

Além do que se consegue buscar na rede doméstica e por conexão, as TVs vêm com conteúdos pré-carregados, como programas de ginástica e livros de receitas. O curioso que nas LCDs mais econômicas há apenas opções de prato principal, enquanto nas de LED há sobremesas, entradas e saladas, tudo sans-Louro José. Ok, Samsung, entendemos que elas são melhores em tudo.

Tudo isso é legal, mas não sensacional. Parece que há a tecnologia, mas falta alguns acordos comerciais para tudo funcionar. Imagine se o canal Sonica do Terra, de músicas, fosse liberado, ou um Last.fm, ou o recém-inaugurado Mundo Fox, Hulu… Sim, você entendeu. Isso faria com que coisas como provedores de TV a Cabo, Apple TVs ou videogames como hubs ficariam ultrapassados. Estamos falando de IPTV sem intermediários. Parece possível. Pelo que foi mostrado hoje, a tecnologia já está madura. Com a capacidade de ler notícias até na sua geladeira hoje em dia, não é fantástico ver uma TV que faça isso. Mas ver aplicativos rodando em segundo plano, carregando vídeos em alta-definição rapidamente e conectando-se sem problemas com a rede doméstica dá pistas que é questão de tempo para você diminuir o número de gadgets necessários para poder ver tudo que você quer em alta definição.