Nas aulas de geografia da escola, sempre surge a discussão sobre a precisão das áreas e distâncias representadas no mapa do mundo que conhecemos. Se considerarmos os mais antigos, principalmente, muitas dessas disparidades podiam ser explicadas por questões geopolíticas. No entanto, com o tempo, os mapas foram se tornando cada vez mais fiéis, mas representar uma esfera em um formato plano continua sendo um desafio.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores decidiu estudar como remodelar o mapa do mundo para torná-lo o mais preciso possível. A equipe foi composta por J. Richard Gott, astrofísico da Universidade de Princeton; Robert Vanderbrei, matemático também de Princeton; e David Goldberg, físico da Universidade Drexel, na Filadélfia.

O primeiro passo foi criar um sistema para analisar os mapas existentes, seus formatos e as diferenças entre áreas e distâncias. Os métodos do estudo foram publicados na plataforma de pré-impressão arXiv.org, enquanto o artigo aguarda a revisão de pares. O resultado final foi um mapa redondo, em que os elementos estão distribuídos entre a frente e o verso do círculo, como você pode conferir no vídeo abaixo:

Conforme apontado pelo Science Alert, é matematicamente impossível representar a superfície de uma esfera como um mapa plano sem distorções. Ou seja, para criar os gráficos utilizados para estudar e conhecer o mundo, os cartógrafos precisaram sacrificar algumas coisas. Enquanto uns priorizam o formato dos países, por exemplo, outros optam por preservar a área.

A projeção Winkel Tripel, de 1921, é considerada uma das que menos apresenta distorções. Ainda assim, o corte no Oceano Pacífico, entre Japão e Estados Unidos, faz parecer que ele é muito maior quando comparado à sua real extensão.

A nova proposta do disco de duas faces utiliza um formato bem diferente da tradicional Winkel Tripel. O astrofísico Gott, da Universidade de Princeton, afirmou ao Science Alert que o que o estudo fez foi “esmagar” o globo, como se ele tivesse passado por um rolo compressor.

Assim, os polos se encontram no centro do círculo, com a linha do Equador nas bordas. Os continentes americano e africano são cortados ao meio. Enquanto a América do Norte e Central ficam em um dos lados, quase toda a América do Sul fica no outro. O mesmo ocorre com a África.

Imagem: Gott, Vanderbei e Goldberg/Science Alert

Segundo os pesquisadores, esse formato oferece precisão nas distâncias dos oceanos e polos, facilitando inclusive a mensuração delas. Isso poderia ser muito útil em escolas, como uma ferramenta para ensinar as crianças sobre o mundo, defendem os autores do estudo.

Mas, novamente, é impossível criar um mapa plano 100% fiel de uma esfera. Ou seja, mesmo que o disco não apresente tantas disparidades como outras projeções tradicionais, as áreas próximas às bordas são 1,57 vez maiores em relação ao centro, sendo que as distâncias podem ter cerca de um quinto de diferença.

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É difícil dizer se o modelo proposto será realmente adotado em larga escala a ponto de substituir o tradicional Winkel Tripel. Afinal, a maioria de nós está acostumada a pegar um mapa e, de cara, localizar a Europa e África no centro, a Ásia e Oceania à direita, a América à esquerda e os polos nas extremidades. Mas, quem sabe, a nova projeção possa ajudar a evitar futuras gerações terraplanistas.

[Science Alert]