Fotografias são capazes de sintetizar em apenas um quadro todo o contexto histórico de uma época e os registros em preto e branco o fazem com maestria. O trabalho da artista brasileira Marina Amaral busca comunicar e extrair toda a emoção de um registro ao dar cor à cena.

Momentos como a autoimolação do monge budista Thích Quang Duc (abaixo), o retrato de Winston Churchill ou Martin Luther King Jr. durante a marcha sobre Washington ganham uma nova dimensão quando vistas coloridas.

“Minha intenção jamais é substituir a foto original, mas quero atingir um nível de realismo que deixa em dúvida se aquela foto foi tirada em preto e branco ou em cores” conta Marina ao Gizmodo Brasil.

Estudante de Relações Internacionais, Marina sempre se interessou por história e até então não tinha se aprofundado em temas com arte, design ou fotografia. O contato com a colorização surgiu a partir de uma discussão num fórum na internet.

O aprendizado foi por conta própria, buscando em diversas fontes e aplicando as técnicas na prática. Embora qualquer pessoa possa tentar colorir fotografias (existem milhares de tutoriais), o trabalho de Marina vai além ao combinar o perfeccionismo e a pesquisa histórica para cada peça.

Ela vasculha jornais, arquivos de museus, documentos governamentais e livros em busca das descrições visuais que deem pistas sobre a cor das roupas, dos objetos, do cabelo, de cada detalhe da imagem. Dependendo do caso, conta com a ajuda de pesquisadores e historiadores. “Recentemente fiz uma série de retratos dos conspiradores do assassinato do Presidente Lincoln e tive a ajuda de um pesquisador. Procuramos transcrições de depoimentos dos acusados, arquivos da época, documentos, e conseguimos reunir todas as descrições visuais que eu precisava. É bem trabalhoso, mas uma parte essencial do meu trabalho”, conta.

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Depois de todo esse processo, o trabalho ainda pode levar meses: “Tudo depende do nível de complexidade da foto. Um retrato simples leva mais ou menos 1 hora. Já uma fotografia mais complexa, pode levar até meses”, afirma Marina.

Além de publicar os resultados em seu site, Marina tem trabalhado em diversos projetos com revistas, canais de televisões e museus. Atualmente, está desenvolvendo um projeto com um museu da Suíça, restaurando fotos de uma locomotiva.

O trabalho já impressiona, mas podemos esperar mais: “ainda tenho muito pra aprender e desenvolver, sou muito perfeccionista e acho que isso me incentiva a sempre tentar evoluir e melhorar como artista”. O site da artista compara as fotos antes e depois da coloração e em seu blog podemos ter algumas aulas de história, com o contexto de cada cena.

[The Verge]

Foto do topo: retrato do 16° presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln. Crédito: Library Of Congress.