O que acontece quando a maior editora de quadrinhos de super-heróis do mundo anuncia no festival cultural South by Southwest que distribuirá DE GRAÇA mais de 700 edições número 1 de suas séries para todo o mundo?

O caos, meus amigos. Acontece o caos.

A Marvel foi a responsável pela proeza, que além de agradar ao público, também serve como importante instrumento de marketing. Mais do que colocar a marca em evidência, a distribuição da 1ª edição de uma história serializada é o melhor jeito de fisgar novos viciad… er… novos leitores.

O lance todo deveria ter acontecido através do nosso bom e velho conhecido ComiXology, começando neste domingo e valendo até terça-feira. Havia de tudo um pouco: séries novinhas em folha como The Uncanny Avengers (por Rick Remender e o inacreditável John Cassaday) e All New X-Men (com roteiros do Brian M. Bendis), FF (arte do sempre brilhante Mike Allred!) e Young Avengers (pela dupla Kieron Gillen & Jamie McKelvie); mega-eventos como AvX e Guerra Civil; as primeiríssimas edições clássicas de Vingadores e Quarteto Fantástico; e mais uma série (com o perdão do trocadilho) de coisinhas apetitosas.

O leitor mais atento deve ter notado os verbos no passado. Deveria e havia porque os servidores simplesmente não aguentaram o tranco. Inclusive causando efeitos colaterais, como o sumiço de toda a biblioteca de compras anteriores dos usuários da plataforma e a impossibilidade de vender HQs para todas as outras editoras sob o guarda-chuva do ComiXology (da gigante e concorrente DC a editoras independentes como a MonkeyBrain, que só publica digitalmente).

Resultado: o CEO do ComiXology teve que vir a público para se desculpar e anunciar que a promoção está em “pausa” (até que a equipe técnica bole uma maneira de atender a demanda), e também para assegurar que todos terão direito a seus gibis digitais gratuitos.

O Comics Alliance publicou um editorial superinteressante sobre os perigos da economia baseada na Nuvem e até o desleixo das grandes companhias tentando se adaptar a uma nova realidade de negócios — artigo que você pode ler aqui, em inglês.

O mais engraçado (ou triste, para ser mais exato) foi acompanhar o poder de avalanche das redes sociais. Quando a situação parecia estar perto de se normalizar, bastava um autor popular como Brian M. Bendis anunciar o fato no Twitter para a turba desenfreada de dezenas de milhares de seguidores inundar os servidores com suas requisições e travar tudo novamente em questão de segundos. É de se pensar o que aconteceria se algo ainda maior ocorresse com algum artista mainstream (digamos, se o U2 liberasse sua discografia de forma gratuita no iTunes por algumas horas).

 

Quem diria que o aparentemente infinito conteúdo digital poderia ficar em falta?


Esta história foi publicada originalmente no blog Espinafrando. Republicado com permissão.