Por que as pessoas mascam chicletes? Se antropólogos de Marte visitassem um supermercado típico, eles ficariam confusos com aquelas prateleiras perto do caixa que mostram dezenas de opções de goma de mascar. Mascar sem comer parece um hábito ridículo, o equivalente oral a correr em uma esteira. E ainda assim, as pessoas têm mascado goma por centenas de anos, desde que os gregos antigos começaram a pegar resina aromática de uma árvore para refrescar o hálito. Sócrates provavelmente também mascou.

Acontece que tem um argumento excelente para esse hábito cultural tão antigo: a goma de mascar é um reforço eficiente do desempenho mental, conferindo todo tipo de benefício sem nenhum efeito colateral. A última investigação sobre o hábito de mascar chiclete vem de um time de psicólogos da Universidade de St. Lawrence.

O experimento foi assim: Deram a 159 estudantes uma bateria de tarefas cognitivas exigentes, tais como repetir números aleatórios ao contrário e resolver quebra-cabeças de lógica difíceis. Metade dos estudantes mascaram chicletes (com e sem açúcar) enquanto a outra metade não recebeu nada. Aqui é quando as coisas começam a ficar peculiares: aqueles escolhidos aleatoriamente para mascar chicletes foram significativamente melhores do que aqueles no grupo de controle em cinco de seis testes. (A única exceção foi a de fluência verbal, nas quais pediram para os estudantes falarem tantas palavras quanto possível de uma determinada categoria, tal qual “animais”.) A quantidade de açúcar no chiclete não teve efeito no desempenho do teste.

Apesar de estudos prévios alcançarem resultados similares – que a goma de mascar muitas vezes é melhor para ajudar em testes do que a cafeína – este último estudo testou o tempo dessa vantagem. Acontece que ela é de curta duração, os que estavam mascando chiclete só tiveram um aumento no desempenho durante os primeiros 20 minutos do teste. Depois disso, seu desempenho foi idêntico ao dos que não estavam mascando.

O que é responsável por esse reforço no desempenho mental? Ninguém sabe realmente. Ele não parece depender da glucose, já que o chiclete sem açúcar gerou os mesmos benefícios. Ao invés disso, os pesquisadores propõem que o chiclete melhora o desempenho devido ao “estímulo induzido pela mastigação.” Em outras palavras, o ato de mastigar nos desperta, garantindo que nós estaremos completamente focados na tarefa em questão. Infelizmente, esse estímulo é passageiro. O que podemos aprender com esse teste é bem simples: Quando estiver fazendo um teste, guarde o chiclete para a parte mais difícil, ou aquelas questões quando você sentir que está perdendo o foco. A goma de mascar irá ajudar a você se concentrar, mas a ajuda não irá durar muito.

Esse último estudo apenas agrega à impressionante literatura sobre goma de mascar. No mês passado, cientistas da Universidade de Coventry descobriram que pessoas mascando chiclete de menta mostravam uma diminuição dramática na sensação de sonolência. As pessoas observadas também pareciam menos exaustas quando avaliados com o exame de pupilografia para detectar os níveis de sono, que usa as oscilações da pupila como uma medida para o cansaço. Quando mascamos chiclete, nós ficamos mais alertas e atentos, mas sem o nervosismo.

E também tem este estudo, de um pesquisador da Universidade de Cardiff, no qual 133 voluntários receberam testes cognitivos para completar enquanto mascavam ou não chicletes. (Eles também distribuíram aleatoriamente sabores de chicletes, uma seleção de frutas ou menta). Aproximadamente metade dos voluntários foram testados enquanto ouviam a um chiado irritante – essa foi a condição de estresse – enquanto os outros voluntários fizeram o teste em uma sala silenciosa. Depois de cada sessão de teste, os voluntários atribuíam uma nota a seu humor e passaram por inúmeras medições fisiológicas, incluindo frequência cardíaca e níveis de cortisol na saliva. (Cortisol é um hormônio do stress, mas também é um bom indicador de estado de alerta).  Como era esperado, quem mascou chiclete estava mais alerta do que quem não mascou, com a frequência cardíaca e níveis de cortisol mais elevados. Eles também tiveram um tempo de reação muito mais rápido, especialmente em testes de reação mais difíceis. Eles até aparentavam estar com um humor melhor.

Dada o incrível poder da goma de mascar, parece um pouco bobo que não seja permitido em sala de aula. (Se uma pílula conseguisse estes mesmos resultados, nós todos estaríamos tomando). Claro, a goma de mascar é nojenta e feia uma vez que é jogada fora, mas também parece ser um maravilhoso estimulante que oferece o benefício do aumento da atenção de comer, sem ter que engolir ou ingerir calorias. (E além disso, hálito fresco!) Um artigo recente da literatura sobre gomas de mascar resume a ciência: “A goma de mascar aparenta ser um alimento funcional que tem a função, mas não o alimento.” [bakadesuyo]

Foto: Flickr/world of jan

P.S: @ResearchDigest indica outro novo artigo sobre goma de mascar que descobriu que mascar diminui o desempenho em testes de memória a curto prazo que envolvem lembrar-se de coisas em sequência. Batucar com as mãos alcançou o mesmo resultado, sugerindo que a vibração rítmica de movimentos corporais pode interferir com a memorização de listas ordenadas.

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