Isso já deve ter acontecido com você: na fila do ônibus, o crédito do bilhete único acabou e você está sem dinheiro no bolso para pagar a tarifa. Ou, na fila do metrô/trem, você se vê obrigado a fazer uma recarga ou a comprar um bilhete. Por que eles não aceitam cartão de débito ou crédito?

A Mastercard está tentando mudar isso usando a tecnologia contactless, que permite realizar pagamentos com seu cartão de banco apenas aproximando-o do leitor, sem digitar senha.

O projeto-piloto começou este mês em São Paulo na linha Diadema/Berrini, apenas para funcionários, convidados e clientes pré-selecionados. Ele funciona com cartões de débito, crédito ou pré-pago; e deve ser aberto para mais pessoas ainda este ano.

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Leitores separados para o cartão BOM e para cartões de banco contactless com bandeira Mastercard (Foto: Mastercard)

Isso vai se expandir para o Rio de Janeiro no início de novembro, nas principais estações do ramal Deodoro na Central do Brasil; e também dará as caras nos ônibus de Curitiba. A Mastercard quer estar presente nas principais capitais do país em todos os modais – trem, ônibus e metrô – já em 2017.

A ideia é aumentar a segurança, reduzir a quantidade de dinheiro circulante, e diminuir a dependência de troco, que pode ser problemático – a produção de moedas pela Casa da Moeda caiu em cerca de 60% em dois anos.

Como funciona

Tudo funciona através da tecnologia EMV Contactless, que transmite dados para o leitor através de ondas de rádio. Este é um padrão da indústria e tem interoperabilidade com cartões da Visa, American Express e outras bandeiras.

O leitor do cartão de banco pode ser um dispositivo à parte, como é na linha de ônibus de São Paulo; ou pode ser integrado ao validador do bilhete único, tal como será nos ônibus de Curitiba e nas catracas de trem no Rio.

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Leitor integrado que será usado nas catracas da estação de trem Central do Brasil, no Rio de Janeiro (Foto: Gizmodo Brasil)

A transação é transmitida para o banco via 3G ou Wi-Fi, dependendo da infraestrutura do operador de transporte, para ser aprovada pela instituição financeira. No teste que o Gizmodo Brasil viu na sede da Mastercard em São Paulo, isso acontece em cerca de um segundo – mais rápido até que validar o bilhete único.

O pagamento é feito sem senha; o cartão contactless autoriza transações de até R$ 50 dessa forma. A Mastercard nota que ele “é tão seguro quanto um cartão com chip tradicional”; além disso, “o sistema possui controles adicionais específicos que aumentam a segurança da transação”.

Você pode até mesmo pagar com o smartphone se estiver usando o Samsung Pay. Fernanda Braz, diretora da Mastercard Brasil para desenvolvimento de negócios com o setor público e de transporte, diz que a empresa está trabalhando com outros sistemas de pagamento via smartphone, sem revelar nomes. (Esta semana, a empresa fechou acordo com Google e Microsoft envolvendo o Android Pay e Microsoft Wallet.)

Vale notar que, como o cartão do banco substitui dinheiro, ele não permite usar os benefícios do bilhete único – por exemplo, a integração com outros ônibus ou metrô. (E imagino ser inviável carregar o bilhete único na fila do ônibus usando o cartão do banco porque isso iria criar filas.)

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O exemplo de Londres

Como explica Fernanda, a ideia é seguir o exemplo de Londres ao integrar pagamentos com cartão de banco ao transporte público.

A tecnologia contactless foi implementada em 2014 pelo operador Transport for London e reduziu o custo de arrecadação (atrelado a receber dinheiro em pontos de recarga e venda de bilhetes) de 14% para 9% em dois anos.

Ao mesmo tempo, a quantidade de cartões contactless na cidade aumentou de 50 milhões para mais de 90 milhões, segundo a Mastercard. Na verdade, quase 20% dos gastos em cartão dos britânicos é feito via contactless – a tecnologia está bem mais difundida por lá.

No Brasil, seu banco precisa emitir cartões com essa tecnologia – isso não depende da Mastercard. Os cartões com essa tecnologia possuem um símbolo de ondas próximo ao chip.