Max Petrucci tem 43 anos, uma filha de 16, já morou ou trabalhou em quase uma dezena de cidades em vários países e acabou de comprar uma Harley Davidson, item da lista de objetivos na vida que fez aos 15 anos, lendo o livro Virando a Própria Mesa, de Ricardo Semler. Max é o dono da Garage Interactive Marketing, uma agência hot shop que se posiciona com força nas áreas de planejamento e de branding. "Na Garage, a gente tenta trazer o espírito do Vale do Silício para a propaganda. Tentamos olhar para uma marca e desenvolvê-la a partir de uma visão digital, fortalecê-la no mundo online. Somos uma agência de digitalização de marcas", diz Max, que não é um publicitário. No nosso tradicional Giz Reunions, Max conversou com a gente sobre rumos da publicidade, as diferenças entre as redes sociais e a temida Geração Y.

Sua formação é em Administração, na Fundação Getúlio Vargas, em 1989, seguida de um MBA na própria instituição, em 1993. E sua área de expertise é planejamento. "Me tornei publicitário graças ao Júlio Ribeiro, da Talent. Eu falo isso e ele não acredita. Mas é verdade. Eu era um moleque arrogante, fazia FGV, e um dia estive na agência dele. Decidi ali que era aquilo o que eu queria fazer da vida", afirma. Antes de abrir a Garage, em 2006, Max foi gerente de produto e gerente de marca em empresas como Natura, Gillette, Johnson & Johnson e Microsoft. Conheceu a internet em 1998 e acabou se envolvendo com o startup do Webmotors, ainda naquela fase da bolha da internet. "A Garage nasceu como uma empresa 100% digital. Hoje, temos um foco digital, nosso pensamento digital, mas às vezes avançamos até o mundo offline, quando o case nos impõe esse escopo", diz. O papo acabou passando pela possível "Morte da Web":

A Garage tem clientes como Ambev, Santander, Mizuno, Whirpool, Danone, Natura e Brystol & Mayers. Qual é o case que você fez e que lhe dá mais orgulho, Max? "Nós digitalizamos o Skol Beats, um evento muito bem sucedido que existe desde 1989. Entramos em 2006 e acho que contribuímos para que hoje o Skol Beats seja muito mais do que um evento – saltamos de 60 mil pessoas que se relacionavam com essa marca uma vez por ano para 400 mil pessoas que se relacionam com essa marca todo mês". Quer citar outro, Max? "A gente também promoveu o primeiro case de cocriação aqui no Brasil, para o próprio Skol Beats. A gente chamou os internautas, em 2008, para reconstruir o evento todo do zero, a partir dos seus desejo e das suas expectativas. Mais de 2 milhões de pessoas foram atingidas".

Max mantém um olho atento ao modo como a turma do Vale do Silício pensa os negócios. "Adoro o conceito de Frenemies. Significa que você pode e deve se associar e fazer coisas legais com seus competidores. Assim como também pode eventualmente competir com seus parceiros. Associações e acordos são muito importantes no nosso mercado. Eu entendo competitividade como ir em todas as bolas, mas jamais ir na canela. É preciso ser competitivo. Ao mesmo tempo, em ambientes onde não há cooperação, você não consegue ir muito longe nem fazer muita coisa". Max, que é torcedor do River Plate, mantém acordo com algumas agências de propaganda e também com algumas empresas de consultoria, como a Accenture.

Max se diz maluco por redes sociais. E prefere o Facebook ao Twitter, como explica aí no vídeo. "O Twitter é um pouco mais hypado. É o sms com interface web. É para o cara que gosta de falar e ser ouvido. Eu uso como um feed de RSS, quase como um Delicious. Já o Facebook é tudo. Será provavelmente o sistema operacional da internet, em que tudo se conecta com tudo. O Facebook tem o impacto na web de hoje, como experiência, semelhante ao impacto do Windows como interface quando surgiu num mundo DOS.  Para mim, o Mark Zuckerberg é a soma do Bill Gates com o Steve Jobs. O Facebook é a coisa mais inteligente inventada nos últimos anos", diz. E como as marcas devem agir nessa nova fronteira, Max? "Essa é a pergunta de um trilhão de dólares. Há dois modelos: o marketing da intromissão, em que a marca invade, versus o marketing on demand, em que a marca é convidada a entrar. Acho que o caminho é ganhar a confiança, conquistar. E acho que a grande questão é: como uma marca pode entrar numa conversa entre duas pessoas?", diz.

Falando em moleques e em talento, como você lida na sua empresa com a indolência e as idiossincrassias da geração Y, que está chegando ao mercado de trabalho, Max? "Às vezes é um pé no saco. Eles nos desafiam. E tem um estilo todo próprio. Mas eu acho esse choque de gerações muito rico. Diante de problemas básicos, como atrasos e falta de comprometimento, sempre trago a discussão para o caso a caso, procuro não generalizar".

E que case você adoraria poder chamar de seu, Max? "Acho o Nike +, e o Nike Run, o máximo. Eles conseguiram ir além do entretenimento, do conteúdo – agregaram serviço relevante para o usuário. Eles digitalizaram o treinador – que é uma figura central para o corredor que está treinando. E de um modo que tornou a experiência muito conveniente para as pessoas. Eles uniram as pessoas e passaram a resolver problemas para elas. É genial", diz. Ele explica melhor:

 

Como já é tradição, encerramos o Giz Reunions com nossa seção de perguntas à moda das revistas de fofocas:

Que conselho você daria ao cliente que você mais gosta?
"Faça o que tem que se feito. Sem medo, sem pensar pequeno. Digitalize o seu negócio, a sua empresa. Entre frontalmente nesse mundo. É aí que as oportunidades estão."

Que conselho você daria para o seu sucessor se deixasse de dirigir a Garage?
"Não desista. É preciso ir adiante, operar da melhor maneira possível na linha tênue da teimosia. É preciso ter a visão de futuro mas ser implacável na gestão do dia a dia."

Qual é o seu maior orgulho nesses quatro anos de Garage?
"Adoro o Tech Brands & Rock and Roll, um festival de bandas de garagem publicitárias que a gente organizou junto com a Oi FM. Mas tenho orgulho também do trabalho apaixonado, do não ao estilo da grande corporação que tem conseguido dizer e manter, do cotidiano vacinado contra a politicagem e a burocracia." 

E qual é o seu maior arrependimento?
"Acho que equívocos pontuais no tratamento de pessoas. Acho que poderia ter agido diferente em algumas situações." Você é esporrento, Max? "Não. Acho que sou intenso. Mas ao mesmo tempo é preciso ser construtivo na crítica. E não sempre a gente consegue agir assim. Gostaria de ter podido ser mais brasileiro em algumas ocasiões, ter agido mais na boa, de modo mais sereno e ensolarado. O melhor chefe que eu tive na vida foi o Roberto Marques, que hoje é o segundo cara da Jonhson no mundo. Um cara muito duro, aliás. Mas com quem aprendi muito.

Onde você quer estar daqui a 10 anos?
"Puxa vida, vou estar com 53. Sei que quero estar no Brasil. É o país que eu elegi, entre todos por onde passei. E sei que quero continuar fazendo o que eu faço. Bom, talvez eu consiga estar tocando numa banda de jazz também. Seria ótimo trazer o sax de volta à minha vida."

Por fim, Max nos confidencia (portanto, não conte para ninguém, OK?) que está lendo Efeito Sombra, do Deepak Chopra. Valeu, Max. Até a próxima.