por Sean Hollister

Não sei ainda quanto a versão final do headset de realidade virtual Oculus Rift vai custar. O fato de ela não acompanhar um controle por movimentos sensacional me faz querer esperar um pouco para comprar um. Mas até mesmo usando o gamepad do Xbox One dentro dos jogos, eu tive experiências inesquecíveis com o dispositivo – e estas foram as melhores de todas.

Em primeiro lugar, um pouco sobre o hardware final do Oculus Rift: ele é definitivamente muito mais ergonômico do que o protótipo Crescent Bay que me impressionou em setembro do ano passado, e definitivamente parece um pouco mais firme do que o anterior, mas não é lá muito diferente.

Ainda há um pouco daquele “efeito de porta de tela”. Quando você vê bem de perto, consegue perceber que aquele mundo virtual é feito de pixels que vivem a alguns centímetros do seu rosto. Uma tocha brilhante em um quarto escuro, por exemplo, brilha de um jeito meio estranho que acaba prejudicando um pouco a experiência. Embora seja bastante leve e confortável, ele ainda exige um pouco de trabalho para ajustar as fitas de velcro que ficam ao redor da sua cabeça.

Particularmente, prefiro o design do Sony Morpheus – apesar de o headset da Sony não ter fones de ouvido integrados como o Rift. Em todas as vezes que testei o Morpheus, a Sony tentou esticar os fones de ouvido ao redor da armação do gadget, e sempre senti como se eles estivessem para cair enquanto usava.

Mas chega disso. Vamos falar do que importa: dos jogos.

Chronos

Qual é a desse jogo? Pense em uma mistura de Zelda com Dark Souls, com arte que parece tirada de Shadow of the Colossus. Você controla um jovem com uma espada e um escudo, que precisa explorar um labirinto imenso. Ao menos no começo – mais para a frente, você passa a controlar um idoso enfraquecido que usa magia para se mover. Os adversários são difíceis e, se você morrer, volta para o começo de tudo… ao menos nessa demo.

Por que parece tão bom? A noção de escala proporcionada pelo jogo é incrível.

Você começa na beira de um precipício, na entrada de um labirinto esculpido em uma imensa montanha – daquelas que, quando você olha para cima, vê a montanha arranhando o céu, e, olhando para o abismo abaixo, não há dúvidas de que se você cair, já era. É um jogo de aventura em terceira pessoa, então ele não tem tanto aquele feeling de que você faz parte do jogo, como acontece com outros títulos. No geral, é como se você fizesse o papel de um espírito guardião em um jogo relativamente tradicional no qual você controla o personagem em terceira pessoa.

As animações são maravilhosas, e é bem legal balançar a espada e atingir seus adversários com ela. O bônus de usar o Oculus Rift nele – até agora, a descrição parece muito a de algum jogo que poderia muito bem ser lançado em qualquer plataforma com controles convencionais e que se liga a uma tela comum – é que, na realidade virtual, o mundo de Chronos parece gigantesco.

O jogo muda a perspectiva conforme você entra em novas salas, mas isso é feito de maneira tão instantânea que não me fez ficar enjoado e nem confuso. Você pode simplesmente ficar sentado em uma cadeira, e de vez em quando se inclinar para ver o que está atrás de uma parede ou para examinar objetos mais de perto.

Também amei a forma como o jogo avisa quando o herói está perto de morrer. Não há uma interface de usuário atrapalhando sua visão – você só ouve seus batimentos cardíacos ficarem mais rápidos, e assim ele começa a tropeçar e mancar enquanto anda, até que esteja totalmente exausto.

Edge of Nowhere

Por que parece tão bom? Novamente, a noção de escala – desta vez, sua aventura em terceira pessoa é através de um mundo congelado repleto de criaturas grotescas. Cenas de perseguição são comuns em jogos de ação e aventura. Eu joguei muitos deles ao longo da história, mas nenhum tinha me oferecido uma experiência próxima ao que fez Edge of Nowhere.

Uma coisa é correr e pular sempre que você chega a uma borda, ou então desviar sempre que encontrar uma indicação óbvia de que algo está para cair na sua cabeça. Outra coisa é olhar para trás por cima do seu ombro – literalmente – e ver aranhas enormes e horrendas perseguindo o seu herói. Ou olhar para o céu e ver uma chuva de pedras caindo sobre a sua cabeça. Olhar para baixo conforme uma ponte frágil de madeira desmorona sob seus pés, dando uma sensação de vertigem quando você olha fixamente para o abismo.

Ou, então, perceber que contemplar sua morte pode fazer ela se tornar realidade – ver todas essas coisas pode fazer você pensar melhor na hora de dar seus saltos, muito mais do que em outros jogos, já eles permitem que você se concentre na tarefa que vem em seguida, e não na atual.

Lucky’s Tale

Qual é a desse jogo? Uma raposa fofinha cartunesca tenta ser Super Mario ao explorar um mundo colorido repleto de armadilhas enquanto coleta moedas e pisa na cabeça dos inimigos.

Por que parece tão bom? Pular de uma plataforma para outra em três dimensões nunca foi tão simples. Não há a necessidade de mexer a câmera nem tentar descobrir para onde você precisa ir: tudo o que é preciso fazer é mexer a sua cabeça para ver todo o mundo em que você está inserido, e então é só pular de um lado para o outro até alcançar seu objetivo. Muito dos saltos não são tão difíceis devido à percepção real de profundidade fornecida pela realidade virtual, e assim você consegue perceber quanto Lucky precisa pular para chegar a outra parte da fase.

Mesmo que seja um jogo em terceira pessoa, ele me fez me sentir incrivelmente ágil ao atravessar uma fase inteira pulando de plataforma para plataforma sem errar nenhuma vez. Mais ou menos como faz um jogador experiente de Super Mario, mas logo na sua primeira tentativa, sem necessidade de estudo de campo para saber o que fazer.

AirMech VR

Qual é a desse jogo? Estratégia em tempo real com uma mudança: você controle um mecha que se transforma em um caça com a velocidade da luz – este que também leva tanques e artilharias para uma batalha e joga eles em qualquer lugar. Você joga basicamente na mesma perspectiva que pode ver no vídeo acima – exceto que também dá para olhar para qualquer lugar, sem necessidade de brigar com uma câmera.

Por que parece tão bom? É como brincar com Transformers. Mas Transformers que de fato SE TRANSFORMAM e VOAM e EXPLODEM COISAS! Você está lá, no meio daquele mundo. Um sorriso aparece no meu rosto só de pensar nisso. E esqueça essas coisas de dar zoom para ver melhor – basta se inclinar um pouco para inspecionar sua base em três dimensões.

Damaged Core

Qual é a desse jogo? Você é um construtor de inteligência artificial, eu acho? Tentando salvar a humanidade de ser oprimida por soltados inimigos feitos de códigos vivos? Claramente esse jogo se passa em uma civilização muito avançada, onde você geralmente age como um franco-atirador estacionário – pense em Silent Scope – que também consegue hackear sistemas inimigos e explodir tudo com programas de mísseis potentes e metralhadoras.

Por que parece tão bom? Além de ser bem divertido, e ser bem legal atirar coisas com feixes de luz e mísseis que seguem o seu olhar – sem contar o fato de você ter uma visão super-humana – é bom demais olhar ao seu redor e ver um mundo em neon colorido. É um dos raros jogos em primeira pessoa que estão sendo mostrados pela Oculus, e permite que você seja transportado de uma parte para outra sem precisar andar.

EVE Valkyrie

Deixei o melhor para o final. EVE Valkyrie, que também está em desenvolvimento para o Morpheus da Sony, é o melhor que você pode ter em jogo de realidade virtual hoje. Você entra em uma cabine extremamente detalhada de uma caça estelar, e participa de batalhas espetaculares com naves inimigas em três dimensões.

Você consegue sentir como as naves espaciais são gigantes conforme você as defende dos ataques rivais. Você pode voar bem perto delas para realmente perceber como elas são grandes. Quando um inimigo passa voando por você, não é necessário consultar nenhum radar nem tentar adivinhar onde ele foi – basta segui-lo com a sua cabeça. E quando você é atingido, não perde apenas um pouco de algum indicador de vida – os danos no seu cockpit podem deixar bem claro que você está perto de uma verdadeira catástrofe.


Já faz um tempo desde que a Oculus disse que a primeira versão para consumidores finais do Oculus Rift provavelmente ofereceria apenas “experiências sentadas” – uma frase que certamente incomodou alguns entusiastas de realidade virtual que esperam por mais. Sou um desses. Sim, quero muito jogos que me permitam tocar coisas em uma realidade virtual, e para isso precisarei de um controle especial… mas começo a pensar que talvez essas “experiências sentadas” com um gamepad convencional não sejam tão ruins assim.