O mercado de PCs está estagnando no mundo: deve crescer em apenas 3,8% este ano, segundo a Gartner. A situação está ruim nos EUA e Europa, onde as vendas de PCs na verdade estão caindo. Smartphones e tablets tomam cada vez mais o espaço das vendas de PCs, cujo mercado parece saturar. Mesmo assim, a Intel ainda aposta forte em PCs, principalmente no Brasil – porque aqui, a situação é outra.

O Brasil se tornou o terceiro maior mercado global de PCs, atrás apenas da China e EUA, e atingiu um volume recorde de vendas: 3,86 milhões de PCs no segundo trimestre. Na América Latina, o mercado cresceu em 15% no mesmo período, e nessa região a Intel aposta forte nos PCs.

Steve Long, diretor geral da Intel para a América Latina, disse no Intel Editor’s Day que a empresa vai triplicar o crescimento na região até 2015, apostando em três fatores: mercado de PCs, “novos mercados computacionais” (smartphones e tablets), e computação para educação. O Brasil, claro, é o queridinho da América Latina: o Intel Developers Forum, maior evento mundial da Intel, receberá sua primeira edição no Brasil em 2012.

Claro que a Intel também está apostando em smartphones e tablets. Sim, enquanto Nvidia, TI e Qualcomm avançavam nos dispositivos móveis, a Intel ficou de fora; mas este ano, eles anunciaram que o Android irá rodar em processadores da Intel. Steve Long disse no evento que “no próximo ano vocês verão smartphones com Intel” – e tablets também. Mas, no Brasil, executivos da Intel se referiam a smartphones e tablets como “mercados adjacentes” – por aqui, o foco esteve em PCs, como os ultrabooks.

O que até faz sentido. Aqui no Gizmodo falamos bastante sobre smartphones e tablets, mas não se engane: no Brasil, eles ainda estão no início da curva de adoção, e não devem explodir em popularidade tão cedo. É uma realidade diferente do que se vê nos EUA e Europa: no Brasil, 65% dos domicílios ainda não têm computador. E, em média, o número de PCs por domicílio no Brasil é um terço do encontrado nos EUA.

A meu ver, a Intel está se preparando para entrar no mundo móvel, mas isso demora – tanto o lançamento como a adoção em massa. Enquanto isso não chega, a Intel aposta em mercados emergentes, como o Brasil, para continuar forte no ramo de PCs e para ter recursos pro futuro.

No mundo, mesmo com a desaceleração dos PCs, a Intel teve faturamento recorde a cada trimestre no último ano e meio. Isso não dura para sempre: à medida que migramos de desktops/notebooks para smartphones/tablets, a Intel pode perder espaço. Mas a Intel está se preparando para mudar, e o Brasil deve ajudar no processo.

O Gizmodo Brasil foi convidado pela Intel para o Intel Editor’s Day na Praia do Forte (BA).

Foto por s.yume/Flickr