O Facebook pode estar enfrentando o pior ciclo de notícias de toda a sua história, mas isso não o impediu de arrecadar lucros espantosos novamente.

A empresa registrou US$ 29 bilhões em receita no terceiro trimestre, ante US$ 21 bilhões no mesmo trimestre do ano passado. Eles também relataram alguns números de usuários bastante expressivos – cerca de 1,9 bilhão de usuários ativos diários e 2,9 bilhões de pessoas usando os aplicativos do Facebook todos os meses. Dos US$ 29 bilhões em receita, o Facebook conseguiu US$ 9,2 bilhões em lucro.

De acordo com a Bloomberg, o preço das ações do Facebook disparou cerca de 3% nas negociações após o anúncio dos lucros.

“Fizemos um bom progresso neste trimestre e nossa comunidade continua crescendo”, disse Mark Zuckerberg em um comunicado antes da teleconferência oficial com os repórteres. “Estou animado com nosso roteiro, especialmente em torno de criadores, comércio e ajudando a construir o metaverso”.

Zuckerberg definitivamente não está animado com algumas das notícias que surgiram nos últimos dias. Um consórcio com cerca de 20 veículos de imprensa teve acesso a um tesouro de documentos que uma ex-funcionária, Frances Haugen, apresentou. Os papeis detalham alguns fatos graves, envolvendo falha em conter discurso de ódio, desinformação e etc. Essas histórias começaram a vazar no fim de semana, com uma enxurrada de novos relatórios chegando na segunda-feira, antes que os lucros fossem anunciados.

O Facebook também avisou que seus relatórios vão mudar a partir do próximo trimestre, a empresa vai dividir as informações de lucros em dois segmentos distintos. O primeiro é a “Family of Apps” ou “FoA”, que inclui ganhos do Facebook, Instagram e WhatsApp. O outro é “Facebook Reality Labs” ou “FRL”, que inclui a gama de hardware e produtos de realidade virtual. Como parte da investida de Zuckerberg em realidade virtual e no metaverso mais amplo, a empresa anunciou que, embora não fosse descartar o título Oculus de sua marca popular de headsets de realidade virtual, estaria mudando o produto para a nomenclatura FRL, um espaço que compartilha com tablets menos populares.

Embora a tempestade de notícias ruins não tenha afetado os lucros da empresa, as atualizações contínuas da Apple centradas na privacidade do ecossistema iOS estão desordenando as coisas. “Nossa perspectiva reflete a incerteza significativa que enfrentamos no quarto trimestre em vista dos contínuos ventos contrários das mudanças do iOS 14 da Apple e fatores macroeconômicos e relacionados a COVID”, disse o Facebook em seu resumo de lucros do terceiro trimestre.

O Facebook previu isso há mais de um ano, engajando-se em uma campanha de relações públicas contra a empresa da maçã. E agora que mais usuários estão optando pelo rastreamento baseado em aplicativos com a ajuda da Apple, parece que os piores temores do Facebook se tornaram realidade. No mês passado, um dos principais executivos de publicidade da empresa, Graham Mudd, disse aos anunciantes que a empresa estava tendo dificuldade em rastrear uma porcentagem considerável de usuários iOS por meio do ecossistema do Facebook. Este mês, Mudd anunciou que faria uma revisão completa da maneira como ele conta os usuários individuais nos aplicativos para contabilizar alguns desses números perdidos.

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Claro, o Facebook não é o único aplicativo que sofre o impacto das atualizações da Apple. O Snapchat, aplicativo de mensagens instantâneas, perdeu sua meta de receita em cerca de US$ 3 milhões neste trimestre, a empresa disse aos investidores em uma apresentação de lucros que as opções de “não rastrear”  do sistema iOS tinham causado o prejuízo.