Se você é um daqueles que inexplicavelmente acha que a espionagem feita pela NSA não importa, eis uma nova informação: um estudo diz que a simples análise de metadados de um celular pode revelar muito sobre você, das suas condições médicas ao fato de você ter ou não uma arma de fogo.

Um estudo de Jonathan Mayer e Patrick Mutchler, de Stanford, sondou dados de 546 voluntários para determinar limites do que pode ser descoberto de metadados como os coletados pela NSA. Nós sabemos que só com eles é possível identificá-lo – mas o estudo mostrou algo muito mais alarmante sobre eles.



Os resultados mostram quão ricos em informações são os metadados. Os participantes forneceram os metadados do smartphone através de um app especial, junto com informações publicamente disponíveis no perfil do Facebook. E, então, os pesquisadores fizeram o trabalho, observando todos os dados para descobrir o máximo que conseguiam.

Um participante do estudo “se comunicava com vários grupos locais sobre neurologia, uma farmácia especial, um serviço de gerenciamento de uma condição rara, e uma linha especial para farmacêuticos usada apenas para tratar casos de esclerose múltipla”; outro “teve uma enorme conversa telefônica matinal com a irmã. Dois dias depois, fez diversas chamadas para um local de planejamento familiar. Ela fez mais algumas ligações depois de duas semanas e, um mês depois, uma ligação final.”

Outra pessoa “entrou em contato com uma loja de equipamentos domésticos, um serralheiro, vendedores de hidroponia e uma loja especializada em produtos de cultura de maconha”, enquanto um quarto participante fez “diversas chamadas para uma loja de armas de fogo especializada em armas semiautomáticas. Ele também falou bastante com o serviço de atendimento a clientes de uma fabricante de armas de fogo.”

São apenas algumas pequenas informações, mas você pode encontrar dados semelhantes sobre todos os participantes: em um período de três meses, 30% entraram em contato com farmácias, 10% serviços de recrutamento, e 8% falaram com instituições religiosas. Em outras palavras, os pesquisadores sabiam exatamente o que aquelas pessoas estavam fazendo.

Mayer resumiu muito bem o estudo. “Pessoas razoáveis podem discordar sobre a política e restrições legais que devem ser impostas a esses bancos de dados”, ele escreveu. “A ciência, no entanto, é clara: metadados de telefone são bastante sensíveis” e podem revelar muito sobre seus donos. [Jonathan Mayer]

Imagem:Brian A Jackson/Shutterstock