Os sistemas de pagamento sem contato estão se tornando uma parte comum de nossas vidas. A partir desta semana, você pode até mesmo pagar a passagem do metrô usando seu rosto. Antes que você pergunte o que você precisa fazer para contar com o serviço, este novo sistema de pagamento por reconhecimento facial estreou na Rússia — e com polêmica. A preocupação é que ele possa ser usado pelas autoridades como uma ferramenta de vigilância.

A cidade de Moscou anunciou na sexta-feira o lançamento do Face Pay, um novo sistema de pagamento por reconhecimento facial, em todas as suas mais de 240 estações de metrô. Os usuários do Face Pay podem pagar pela passagem de metrô olhando para a câmera em determinadas catracas sem a necessidade de um cartão, telefone ou dinheiro. Em nota à imprensa, Maxim Liksutov, do Departamento de Transportes de Moscou, disse que o sistema da cidade foi o primeiro do mundo a ser implantado em escala tão grande.

No entanto, Liksutov afirmou que a adição do sistema Face Pay não significa que a cidade irá descontinuar outros métodos de pagamento. Ele acrescentou que o uso do Face Pay é opcional.

“Não há análogos do Face Pay em termos de qualidade e facilidade de uso para os passageiros, em qualquer lugar do mundo”, disse Liksutov, de acordo com uma tradução de seu comunicado na Internet. “Gostaria de enfatizar que o Face Pay é apenas mais uma forma de pagar as viagens. O cadastro é voluntário, e apenas se o passageiro considerar este meio de pagamento conveniente. Outros métodos de pagamento vão continuar valendo”.

Para usar o Face Pay, os passageiros devem vincular sua foto, cartão de crédito ou débito e cartão de transporte público ao serviço no aplicativo do metrô de Moscou. Embora tudo pareça fácil, as autoridades de Moscou alertaram os usuários interessados ​​a se registrar com antecedência, pois o processo pode levar várias horas.

O lançamento do Face Pay fez barulho entre os ativistas da privacidade, que temem que a Rússia esteja usando o reconhecimento facial para aumentar o controle sobre sua população. Stanislav Shakirov, o fundador do grupo de direitos digitais e liberdade de informação Roskomsvoboda, disse ao jornal The Guardian que há uma necessidade de transparência total sobre como o Face Pay funcionará na prática.

“Estamos nos aproximando de países autoritários como a China,,que dominam a tecnologia facial. O metrô de Moscou é uma instituição governamental e todos os dados podem acabar nas mãos dos serviços de segurança”, afirmou.

Moscou, por sua vez, garantiu ao público que todas as informações serão criptografadas com segurança e que as câmeras nas catracas leem dados biométricos, e não rostos ou outros dados pessoais. Considerando que os dados biométricos de reconhecimento facial “medem os padrões únicos do rosto de uma pessoa, comparando e analisando os contornos faciais”, conforme explicado por Norton, isso não é exatamente reconfortante.

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O fato de isso estar sendo usado na Rússia, que a Human Rights Watch disse recentemente estar expandindo o uso da tecnologia de reconhecimento facial sem regulamentação, supervisão ou medidas de proteção de dados, é igualmente preocupante. As autoridades já acusaram inocentes de serem criminosos devido à tecnologia de reconhecimento facial, afirmou a organização. Eles também o usam para processar oponentes políticos e manifestantes pacíficos.

Autoridades de Moscou projetam que, nos próximos dois a três anos, entre 10 a 15% dos passageiros do metrô usarão regularmente o Face Pay. Se a demanda crescer, a cidade adicionará mais catracas do tipo.