Microplásticos são partículas ultrafinas, com menos de cinco milímetros de comprimento, que estão presentes no ar, em nossa comida, na água e nos mais diversos lugares que você possa imaginar. Isso significa que uma estação de tratamento de água, atendendo cerca de 400 mil habitantes, despeja até 2 milhões dessas partículas no meio ambiente todos os dias.

Como se isso já não fosse preocupante o suficiente do ponto de vista ecológico, uma nova pesquisa do Instituto de Tecnologia de New Jersey revelou que esses microplásticos podem fornecer o ambiente ideal para bactérias e patógenos resistentes a antibióticos se desenvolverem assim que eles são despejados pelos canos domésticos até as estações de tratamento de água. Isso porque, durante esse processo, as partículas de plástico formam uma camada pegajosa, chamada “biofilme”, que permite que os microrganismos patogênicos e resíduos de antibióticos grudem na superfície e se misturem.

De acordo com o artigo, publicado no Journal of Hazardous Materials Letters, algumas cepas de bactérias conseguiram aumentar sua resistência a antibióticos em até 30 vezes enquanto viviam nos biofilmes de microplásticos. Para o estudo, os pesquisadores coletaram amostras de lodo de três estações de tratamento na região norte de Nova Jersey e inocularam nelas dois tipos de microplásticos comuns, o polietileno (PE) e o poliestireno (PS). Assim, eles acompanharam as alterações genéticas nas bactérias e identificaram quais espécies tendiam a crescer mais no microplástico.

Após três dias, os resultados mostraram que os genes sul1, sul2 e intl1, responsáveis por aumentar a resistência contra sulfonamidas (um tipo de antibiótico), eram 30 vezes mais numerosos nos biofilmes do microplástico em comparação com os testes de controle do laboratório. Além disso, quando os pesquisadores introduziram o sulfametoxazol (outro tipo de antibiótico), os genes de resistência aumentaram em 4,5 vezes.

Dentre as oito espécies diferentes de bactérias identificadas nas amostras de microplásticos, os cientistas encontraram dois patógenos humanos associados a doenças respiratórias: Raoultella ornithinolytica e Stenotrophomonas maltophilia. A variante mais comum encontrada nos microplásticos foi a Novosphingobium pokkalii, que, segundo os pesquisadores, é provavelmente a responsável por iniciar a formação do biofilme que atrai os patógenos à medida que ela se prolifera e contribui para a deterioração do plástico e expansão do biofilme.

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O objetivo dos pesquisadores agora é entender melhor o papel da Novosphingobium pokkalii na formação do biofilme em microplásticos. Eles ainda pretendem estudar se os patógenos presentes nessas partículas podem sobreviver aos processos de tratamento da água, o que indicaria se as bactérias estariam se tornando resistentes até mesmo à luz ultravioleta e ao cloro. Segundo eles, a pesquisa pode representar mais um alerta sobre os perigos do microplástico à saúde.

[EurekAlert]