Apesar das explosões, suicídios, exploração e gás venenoso, a Foxconn aparentemente ainda é um lugar bastante visado para se trabalhar na China.

Nesta segunda-feira, milhares de candidatos fizeram uma fila maior que 200m fora de uma agência de recrutamento. Os candidatos são na maioria homens, e segundo a mídia chinesa alguns acabaram de se formar na faculdade. Eles concorrem a vagas na fábrica da Foxconn em Zhengzhou, que pretende dobrar o número de funcionários e contratar mais 100.000 empregados.

O salário inicial é de 1.650 yuan (R$460), que aumenta para 2.400 a 3.200 yuan (R$660-R$880) depois de avaliação de desempenho no trabalho. Além do salário, os funcionários recebem alimentação gratuita e moradia da Foxconn – os refeitórios da empresa parecem bons, pelo menos em Shenzhen, mas você já viu como são os dormitórios.

As duras condições de trabalho na Foxconn não podem – e não serão – ignoradas, mas para muitos chineses, estas fábricas são melhores do que as alternativas. Depois da polêmica reportagem sobre abusos nas fábricas, o New York Times publicou comentários dos chineses em resposta à história. São muitos os comentários traduzidos – você pode ler todos aqui – mas este parece resumir bem a situação:

Se não for a Apple, qual a alternativa – a Samsung? Você não sabe que os produtos da Samsung vêm da fábrica de Tianjin? O salário e benefícios dos empregados da Samsung são ainda piores do que os da Foxconn. Se não for o iPad – (você acha que) eu vou comprar Android Pad? Você já esteve nas fábricas da Lenovo e Asus? Quanta, Compaq… fábricas de outras empresas são todas piores do que as da Apple. Se não for iPod – (você acha que) eu vou comprar Aigo, Meizu? Você sabe que a fábrica da Aigo em Shenzhen só paga os funcionários no dia 19 do mês seguinte? Se você quiser se demitir, desculpe, seu salário será retido. A Foxconn nunca ousa fazer essas coisas. Primeiro, a margem de lucro deles é maior que de empresas semelhantes, porque eles fabricam pra Apple. Segundo, pelo menos aqueles demônios estrangeiros fazem auditorias regulares nas fábricas. Marcas domésticas nunca se importam se os funcionários vivem ou morrem.

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