Estes androides de massinha foram feitos por desenvolvedores de aplicativos para Android. Centenas deles estavam reunidos ontem em São Paulo para fazer essa e outras brincadeiras aprender mais sobre como programar para o sistema operacional para smartphones que mais cresce em uso no mundo. Sim, eles estavam reunidos no Brasil, onde só se pode baixar aplicativos gratuitos. Mas eles começarão a ganhar dinheiro com a brincadeira (de fazer aplicativos, não de bonecos de massinha). É o que promete a Motorola, que organizou o encontro e deve abrir em muito breve sua loja de aplicativos pagos no Brasil (Shop4Apps). Os planos da fabricante para o robozinho são bastante ambiciosos. 

A loja já está em operação na China. há algum tempo, como adiantamos aqui, e ontem foi anunciada para México, Argentina e Brasil para breve. A Motorola não definiu o que é breve exatamente, mas, por folhetos distribuídos no evento, deve abrir, estourando, na segunda semana de junho. As conversas estão adiantadas.

Eu fico bem ansioso pela possibilidade de ter uma loja oficial de aplicativos para Android – mesmo que seja apenas de uma fabricante -, e não apenas pelo meu próprio interesse egoísta de dono de Milestone. As vantagens: já que o Google não consegue garantir uma loja universal, que possamos comprar aplicativos de qualquer país, pagando com o Google Checkout, precisamos que alguém entre no vácuo e garanta a possibilidade de comprar alguns aplicativos bem bons que hoje só estão disponíveis se você der dinheiro ao criador (penso em joguinhos, mas há outros, seguramente). 

Em segundo lugar, precisamos de mais aplicativos em português e voltados para cá, de programas para acompanhar ao vivo resultados de futebol, passando por clientes para banco e seguradoras a programações culturais ou de TV, como já existe aos montes para iPhone. A loja da Motorola especificamente tem vários incentivos para desenvolvedores brasileiros, com fóruns em português e kit de desenvolvimento customizado – gratuito, por sinal.

Ontem, pelo que vi no evento da Motorola, havia 90% de curiosos e pessoas dispostas a aprender. Conversei com algumas pessoas e me pareceu que hoje não há muitos desenvolvedores fazendo aplicativos para Android – na verdade boa parte das pessoas que estavam ali não faziam muita ideia de por onde começar. Mas a perspectiva de enfim ganhar dinheiro com o negócio muda tudo. 

Eu conversei um bocado com o simpático John Ellis, diretor de Softwares & Serviços da Motorola para as Américas, que está na empresa há 20 anos e parece mais empolgado do que nunca. 

 

Por que a Motorola abraçou tão fortemente o Android?

Em 2008 tínhamos 17 plataformas em nossos celulares. P2k, java, Linux java, Windows Mobile… Aí Sanjay (Sanjay Jha, CEO da divisão mobile que assumiu em 2008), disse que teríamos de nos consolidar. Procuramos uma plataforma que pudesse refletir nossos valores, e o Android era um sistema aberto e robusto, como queríamos para suprir as nossas necessidades. Simultaneamente  isso nos deu a oportunidade de estender a experiência e nos diferenciar dos outros fabricantes que usavam Android. A mudança foi boa. Hoje nosso portfólio inteiro está comprometido com o Android, dos celulares mais caros até os mais simples. Estamos muito felizes. 

Mas e como ficam os bestsellers como o Z3? Vocês abandonaram de vez a ideia dos featurephones bonitos? 

Uma das razões do sucesso do Z3 é o design. Nós não perdemos isso. Você pode ver isso no Backflip ou no Milestone: nós inovamos com vários designs. Nosso desafio é casar este design com o sistema Android. Teremos novos aparelhos, dezenas esse ano, com design diferentão, com e sem teclado, flip, barras. Estamos exploramos as possibilidades. Queremos ver como o Android se encaixa em qualquer telefone. 

 

Até hoje os brasileiros têm dificuldade em comprar aplicativos do Android Market. Como que isso será diferente na loja da Motorola?

Teremos aplicativos pagos e gratuitos. Estamos pensando na melhor maneira de o cliente pagar por eles, de PayPal ou algo do tipo a cartão de crédito ou débito na conta da operadora. Nós estamos em conversas bastante adiantadas com todos os envolvidos. 

 

Hoje há um certo receio de algumas pessoas na hora de baixar aplicativos no Android Market. Eles podem ter vírus, não funcionar direito… A loja da Motorola ajuda a melhorar isso? 

O Motodev Studio, a suíte de desenvolvimento que distribuímos, faz vários testes: se o aplicativo entra em suspensão ou background corretamente, se não trava quando entra no sleep ou quando abre-se outro aplicativo. Os aplicativos publicados na nossa loja passam por esses testes, então sabemos que, em termos de funcionalidade, tudo que entrar na loja está ok do ponto de vista técnico.  

 

Há tantas versões de Android por aí… Não podemos sonhar com um dia em que exista uma versão estável, rodando em todos os smartphones? 

Todas essas versões mostram que há uma explosão de criatividade entre os desenvolvedores. Mas, como o Sanjay falou, todos os nossos serão atualizados para Android 2.1 até o fim do ano. Eu não posso falar pelo Google. Eles estão conscientes da rapidez da inovação e estão tentando fazer coisas mais estáveis. 

Enquanto isso, estamos ajudando os desenvolvedores. Eles já têm acesso às datas de atualização, quando vamos lançar novos aparelhos, qual será o tamanho da tela… Há troca de perguntas com nossa equipe, fóruns. Sabemos que é um pouco mais complicado do que imaginávamos, mas podemos facilitar a vida deles.