Uma mulher dos Emirados Árabes, Munira Abdulla, teria recobrado um grau de consciência e função depois de passar incríveis 27 anos em um estado de consciência reduzida — popularmente conhecido como coma.

Segundo o New York Times, Abdulla se envolveu em um grave acidente automobilístico em 1991 (noticiado pela publicação The National, de Abu Dhabi, como uma colisão com um ônibus escolar), sofrendo lesão cerebral traumática e passando a maior parte das três décadas seguintes em um estado de “consciência mínima”. Em 2017, ela foi transferida para uma clínica na Alemanha, onde recebeu fisioterapia para impedir a deterioração muscular, além de medicação para tratar epilepsia.

Os sinais de que ela estava se recuperando começaram a surgir no ano passado, escreveu o New York Times, com o médico chefe da Clínica Schön, Dr. Friedemann Müller, dizendo que é possível que um dispositivo que transportava medicamento em sua coluna vertebral tenha desencadeado a recuperação:

Os sinais de que a Sra. Abdulla estava se recuperando começaram a surgir no ano passado, quando ela começou a dizer o nome do filho. Algumas semanas depois, ela começou a repetir versos do Alcorão que havia aprendido décadas atrás.

“De início, não acreditamos”, disse o médico, “mas com o tempo ficou muito claro que ela estava dizendo o nome do filho”.

O Dr. Müller disse que não esperava uma recuperação dessas da Sra. Abdulla.

Ela estava na clínica alemã para tratar convulsões e contorções musculares que tornavam o seu corpo difícil de manipular e que a impediam de se sentar em uma cadeira de rodas com segurança. Parte do tratamento consistia em instalar um dispositivo que lhe fornecesse medicação diretamente na coluna vertebral, um fator que, segundo o Dr. Müller, poderia ter contribuído para a sua recuperação.

Não está totalmente claro o quanto de recuperação se espera que Abdulla ainda faça. No entanto, de acordo com a reportagem do National, seu filho de 32 anos, Omar Weibar, disse que ela parecia ter tomado consciência das pessoas ao seu redor em junho passado, dias depois começando a dizer nomes. Com o tempo, ela passou a ser capaz de dizer à equipe médica onde estava sentindo dor, ter conversas “se estiver interessada no assunto” e recitar orações, disse Weibar ao National.

O jornal informou que, durante uma recente visita hospitalar, Abdulla foi “capaz de responder perguntas, ainda que com dificuldade”, e recitar versos do Alcorão.

Müller disse ao jornal alemão Spiegel que ninguém simplesmente acorda de um coma após um período de tempo tão longo e que o que realmente acontece é mais um processo a longo prazo. De acordo com a emissora alemã Deutsche Welle, Abdulla segue apresentando deficiências graves e utilizando uma cadeira de rodas.

Como apontou o New York Times, recuperações de comas tão graves como o de Abdulla são extremamente raras, com “apenas um punhado” relatado. Outro caso famoso envolveu Terry Wallis, um homem de 19 anos, de Massachusetts, atirado de uma caminhonete em 1984. Ele começou a falar em 2003, com pesquisadores médicos por fim concluindo que seu cérebro tinha “muito gradualmente desenvolvido novos caminhos e estruturas anatômicas completamente novas para restabelecer conexões funcionais, compensando as vias cerebrais perdidas no acidente”, noticiou a New Scientist.

[New York Times/The National/Der Spiegel]