Em 1825, uma espada de 92cm foi descoberta no rio Witham, localizado na costa leste da Inglaterra. “Se fosse brandida com força suficiente, poderia fatiar a cabeça de um homem em duas com facilidade”, escreve Julian Harrison, curador da Biblioteca Britânica. Apesar de seu uso potencial ser óbvio, as inscrições douradas na face da lâmina não são.

A espada pertence ao Museu Britânico, mas está atualmente em exposição na Biblioteca Britânica, como parte de uma exibição sobre a Magna Carta. A arma é datada entre 1250 e 1330, e o museu aponta que ela não é muito diferente das anunciadas em um manuscrito do mesmo período (imagem abaixo) que detalhava a conquista da Normandia pelos franceses.

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Mas enquanto a cronologia exata não é um mistério, um detalhe no design dela é. A face da lâmina da espada traz uma “inscrição indecifrável” em fio de ouro:

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Em uma postagem no blog sobre manuscritos medievais da biblioteca, Harrison fez um apelo à internet: poderia alguém decifrar este código e nos dizer o que ele significa? “Tem sido especulado que essa é uma invocação religiosa, já que a língua é desconhecida”, escreve Harrison. “Você pode tentar decifrá-lo para nós?”

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Sim. Sim, a internet pode. Dias depois do pedido, páginas cheias de teorias contribuiram à pesquisa. Tantas, inclusive, que os comentários da página estão agora fechados. Um comentário deixado por joe2348 sugere que a inscrição se trata de uma frase em galês medieval:

Parece galês medieval

“Nenhuma cobertura estará acima de mim”?

Talvez significando que a espada e seu dono estarão sempre prontos para a batalha?

Outro usuário, Tannasgh, diz que a chave para descobrir a proveniência da língua talvez esteja na letra W:

Qualquer simbologia que apareça nos arredores pode ser muito importante. De uma perspectiva do alfabeto, a inclusão da letra W imediatamente chamou a minha atenção, já que o uso geral dela não foi utilizado desta forma até algum ponto durante o século XIV, quando começou a se transformar, deixando de ser escrita como dígrafo, para ser escrita mais frequentemente como uma ligadura conforme os séculos XV e XVI se aproximavam. Eu não acho que eu teria prestado atenção se ela não estivesse na forma que está. Nas versões mais antigas da ligadura da letra W é como escrevê-la como dois Vs cujas pernas se cruzam. Tempo e preguiça de escrever eventualmente eliminaram as seções cruzadas para uma escrita mais fácil. Este W em particular forma uma vértice com a metade da altura dos braços da letra W, sugerindo que a gravação foi feita entre os séculos XV e XVI. É importante notar que essa forma de letra W é usada nativamente em alemão, holandês, inglês, galês, polonês, valão e maltês. A maioria das línguas românicas, incluindo o latim, não usavam o W.

Um ponto particularmente interessante, de Marc van Hasselt, da consultoria de patrimônio da Universidade Utrecht, explica como espadas semelhantes foram encontradas por toda a Europa, carregando frases incompreensíveis semelhantes. De acordo com Hasselt, as inscrições parecer ser do latim:

Usando a excelente pesquisa de Thomas Wagner e John Worley, a imagem de oficina medieval de grande sucesso foi criada, fazendo espadas ‘mágicas’ para a elite. As espadas são de alta qualidade, mas o que chama a atenção são as inscrições. Tanto seu conteúdo misterioso quanto as semelhanças na frase são admiráveis. Uma espada da Suécia pode usar um X curvado parecido com o que é encontrado na espada do rio Witham. Uma espada atualmente em Berlim com inscrições com I-S em contração também estão presentes na espada encontrada na Holanda. Estas semelhanças levam a crer que a mesma mão fez estas inscrições. Entretanto, o conteúdo presente nelas ainda é um mistério, independente de sua origem.

Essa á uma ideia intrigante — que estas inscrições podem ter servido para algum propósito religioso, talvez até como uma ferramenta de marketing para atrair a “elite” para esta oficina. Hasselt mostra inscrições semelhantes em outras espadas:

+BENEDOXOFTISSCSDRRISCDICECMTINIUSCSDNI+

+DIOXMTINIUSESDIOMTINIUSCSDICCCMTDICIIZISI+

Harrison chegou até mesmo a ir à BBC para falar sobre as respostas — mas parece que mesmo com centenas de comentários e uma grandiosa presença na mídia, ninguém conseguiu decifrar a inscrição. Enquanto a frase se mantém um mistério por algum tempo, e talvez nos deixe no escuro para sempre, é interessante ver como leitores ágeis — de acadêmicos especializados em linguagem medieval a leigos completos — responderam com teorias. Ficaremos de olho caso mais detalhes sobre o caso venham à tona. [British Museum; h/t CNET]