Cory Doctorow escreveu um artigo no The Guardian explicando porque é estúpido confiscar telefones celulares nas portas das salas de cinema em pré-estreias: ninguém está pirateando filmes usando celulares, e os verdadeiros vazamentos vem de dentro da indústria.

O artigo entra em maiores detalhes a respeito dos riscos de segurança em ter aparelhos celulares confiscados por policiais-de-cinema aleatórios, e Doctorow demonstra desconforto com o fato de ninguém contar para ele exatamente o que acontece com estes telefones durante o filme. Eu me preocupo menos: acho que a razão porquê ninguém sabe o que acontece com telefones é que ninguém se importa, e provavelmente nunca houve uma única instância de roubo de dados de celulares nessa situação. Mas é realmente um mau sinal que qualquer pessoa dentro da indústria cinematográfica pense que é daí que surgem as cópias piratas.

Como qualquer pirateador habitual vai saber informar, há vários níveis de filmes ilegalmente obtidos, variando enormemente em qualidade. Em qualquer site "respeitável" de BitTorrent, estes níveis estão claramente indicados no nome do arquivo — ou ao menos alguém avisa nos comentários. O primeiro tipo que aparece é quase sempre a "versão camcorder", que é frequentemente uma enorme perda de tempo. Os "Cams", como são chamados, são geralmente filmados dos cantos da sala, para evitar serem detectados, e a qualidade do áudio é elogiada se os diálogos forem minimamente reconhecíveis com muito esforço. A grande maioria dos piratas ignora este lixo e espera uma cópia mais legítima, então não vale a pena ficar encrencando demais com quem entra com uma câmera na sala.

A seguir, vem a coisa que realmente vale a pena ser roubada. O último ponto de vazamento de qualquer filme antes do lançamento em DVD: o "screener".

Screeners são cópias em DVD enviadas para críticos e outros membros da indústria, e é daí que praticamente todos os vazamentos vem. Eu repito: as cópias vazadas e pirateadas vem de dentro da indústria. Então talvez a MPAA (Motion Picture Associated of America) devesse parar de choramingar e bolar um sistema anti-cópias um pouco melhor, em vez de ficar fazendo papel de boba ao confiscar celulares por aí. [The Guardian]

 

Update: Pra deixar mais claro os formatos mais comuns:

CAM: O CAM é um “rip” feito no cinema, normalmente com uma câmera digital. Às vezes é usado um tripé, mas na maioria das vezes isso não é possível, deixando a filmagem tremida. Devido aos lugares disponíveis no cinema também não serem sempre no centro, pode ser filmado com ângulos diferentes. Se cortado (cropped) adequadamente, é difícil diferenciar, a não ser que tenha legendas na tela, mas muitas vezes os CAM são deixados com bordas pretas na parte de cima e de baixo da tela. O som é gravado com o microfone embutido da câmera e, especialmente em comédias, risadas são ouvidas durante o filme. Devido a esses fatores, a qualidade de som e imagem costumam ser muito ruins, mas as vezes, com sorte, o cinema está quase vazio e apenas baixos ruídos serão ouvidos.

TELESYNC (TS): Um telesync tem as mesmas características de um CAM, só que usa uma fonte externa de áudio (normalmente um fone de ouvido na poltrona para pessoas que não ouvem bem). Uma fonte de áudio direto não garante uma boa qualidade de áudio, pois muitos barulhos podem interferir. Muitas vezes um telesync é filmado em um cinema vazio ou da cabine de projeção com uma câmera profissional, gerando uma melhor qualidade de imagem. A qualidade varia muito, por isso veja um sample (amostra) antes de baixar o filme por completo. A maior parte dos Telesyncs são CAMs que foram rotuladas de forma errada.

R5: R5 se refere a um formato específico de DVD região 5. Em um esforço para competir com a pirataria, a indústria decidiu criar esse novo formato que é produzido mais rápido e mais barato do que os tradicionais DVDs. O que os difere dos DVDs tradicionais é que os R5 são tranferidos diretamente de um telecine sem qualquer tipo de processamento de imagem, e sem nenhum adicional. Às vezes os DVDs R5 são lançados sem áudio em inglês, exigindo que os grupos de pirataria usem o áudio de outra fonte. Nesse caso o release possui a descrição “.LINE” para distinguir daqueles que possuem o áudio do original. A qualidade da imagem de um R5 geralmente pode ser comparada com um DVD screener. No final de 2006 alguns grupos como o DREAMLIGHT, mSs e PUKKA passaram a nomear seus Releases de “.R5″ e sugeriram a outros grupos que fizessem o mesmo.

DVDRip: Uma cópia do lançamento final do DVD. Se possível, é lançado na internet antes mesmo do DVD de venda e/ou aluguel ser lançado. A qualidade deve ser excelente. DVDrips são lançados em SVCD e DivX/XviD.

Valeu marcusfelippe pela aula!