Viajar e viver no espaço é um sonho para muita gente, mas existem algumas coisas para se levar em consideração, como o fato da nossa pele não ser ideal para lidar com condições extremas como o vazio cósmico. Embora pesquisas da NASA, como aquela feita com os astronautas gêmeos, joguem luz sobre potenciais impactos de longos voos espaciais nos nossos corpos, muitos mistérios permanecem – particularmente quando se trata do que irá acontecer com nosso DNA.

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Um experimento que acontecerá na Estação Espacial Internacional (ISS) pode responder algumas questões que pesquisas anteriores acabaram levantando sobre mudanças curiosas dos genes dos astronautas no espaço. No dia 27 de março, a NASA irá lançar a missão de reabastecimento Cygnus OA-7 da Orbital ATK, que irá levar materiais para um experimento chamado Genes in Space II (Genes no Espaço II). De acordo com a NASA, o experimento irá examinar especificamente os talômeros, que são tampas de proteção no final do cromossomo.

Conforme uma pessoa envelhece, os talômeros diminuem. Foi assumido que o estresse de voos espaciais podem acelerar essa diminuição dessa estrutura nos astronautas. Mas os primeiros resultados do Estudo dos Gêmeos, no qual o astronauta Scott Kelly passou um ano no espaço enquanto a NASA estudava as mudanças no seu corpo ao compará-lo com seu gêmeo idêntico Mark, sugeriu o oposto. Enquanto estava no espaço, os talômeros de Scott Kelly cresceram e voltaram ao tamanho antes da viagem espacial pouco depois que ele retornou para a Terra. O experimento dos Genes no Espaço pode explicar essa anomalia, e oferecer mais descobertas na relação entre o talômeros e o voo espacial prolongado.

Esse não é o primeiro experimento que investiga o DNA no espaço. No ano passado, a NASA lançou a primeira versão do Genes no Espaço, que examinou o impacto da microgravidade no DNA, além do crescimento e comportamento da bactéria Streptococcus pneumoniae à bordo da ISS. Os resultados, que ainda estão pendentes, podem ajudar os pesquisadores a entender não apenas como o espaço altera o DNA dos astronautas, mas como combater melhor as doenças durante a viagem.

Mas por que alguém se importa com pequenas mudanças em algumas características aleatórias dos nossos cromossomos? A diminuição dos talômeros são associados com inúmeras doenças, incluindo câncer, anemia aplástica e disfunção hepática. Enquanto alguns associaram o crescimento do talômero de Kelly com algum tipo de milagre anti-envelhecimento, isso também pode ser um indicativo de um problema, como explicou John Charles, cientista chefe do Programa de Pesquisa Humana da NASA, ao Gizmodo no começo desse ano. Se voos espaciais extensos estão colocando astronautas a um grande risco para doenças, precisamos descobrir o que está acontecendo o mais rápido possível.

A missão Cygnus também irá levar outros experimentos interessantes para os astronautas da ISS, incluindo um sobre sequenciamento biomolecular no espaço.

[NASA]

Imagem do topo: Wikimedia Commons