A poucos dias de seu anúncio oficial, parece que a “Netflix das notícias” da Apple ganhou um parceiro de peso. O New York Times noticiou nesta quarta-feira (20) que o Wall Street Journal entrou em acordo com a empresa de tecnologia para fazer parte do grupo de veículos de imprensa que estarão disponíveis no serviço que a companhia da maçã deve lançar na próxima segunda-feira (25).

O evento marcado para a próxima semana acontecerá na sede da Apple em Cupertino, na Califórnia, e deve trazer também o anúncio do serviço de streaming de séries e filmes da Apple, que viria para concorrer com Amazon, Netflix e HBO, segundo a imprensa especializada nos Estados Unidos.

Segundo o New York Times, o serviço que a Apple lançará trará “centenas de revistas e veículos de imprensa” em sua assinatura, que, de acordo com o jornal, irá custar US$ 10 por mês. A plataforma supostamente terá também uma seção gratuita de conteúdo, mas seu grande atrativo é o acesso irrestrito aos materiais dos veículos participantes.

O jornalismo enfrenta há anos uma crise de modelo de negócio, e muitas empresas recorreram ao paywall (bloqueio de conteúdo) para monetizar seu serviço. Embora algumas poucas companhias como o próprio New York Times tenham encontrado sucesso no modelo, o sistema não é lá tão viável para o consumidor, considerando que, se quiser ter acesso completo aos conteúdos dos principais jornais de seu país, por exemplo, ele precisa pagar por cada assinatura individual. É essa questão que a Apple deseja resolver — mas a fatia cobrada pela empresa afugentou muitos possíveis parceiros.

New York Times e Washington Post são exemplos de dois jornais que já recusaram o acordo, segundo fontes próximas às negociações citadas pelo NY Times. O argumento utilizado pela Apple para atrair parceiros é de que poderia apresentar o conteúdo dessas empresas a milhões de novos leitores em sua plataforma nativa Apple News. Entretanto, os últimos detalhes ouvidos sobre a negociação dão conta de que a empresa de Cupertino estaria pedindo 50% do valor das assinaturas, deixando apenas 50% para os veículos — considerando que a companhia cobra 30% de apps e assinaturas na App Store, é compreensível a recusa de jornais, revistas e sites.

O evento da próxima segunda-feira da Apple é um exemplo claro do novo caminho que a empresa deseja percorrer. Com os iPhones apresentando queda de vendas, a companhia está focando em softwares e serviços. Em posição já confortável no mercado de streaming de música, devemos ver o anúncio oficial da entrada da Apple agora também no entretenimento e na mídia. Com as centenas de milhões de dispositivos ativos no mundo, a companhia tem uma boa chance de balançar essas indústrias.

[New York Times]