Na maioria dos dias, quando chego em casa do trabalho, tiro meus sapatos e me aconchego com um pouco de Netflix. Streaming de vídeo é a minha escolha para os momentos em que quero relaxar – e eu não sou a única. A cada ano, nosso streaming de vídeo coletivo resulta em emissões de carbono equivalentes a todo o território da Espanha, segundo um novo estudo.

Todos os datacenters usados ​​para executar os sites que nos fornecem nossos vídeos, do YouTube ao Pornhub, exigem enormes quantidades de energia. Os pesquisadores estimaram no início deste ano que o YouTube, sozinho, emitiu cerca de 11 milhões de toneladas de dióxido de carbono em 2016. Agora, um grupo separado de analistas do The Shift Project, um think tank baseado em Paris que se dedica a um futuro com baixa emissão de carbono, concluiu em um relatório que todos os vídeos online de todo o mundo emitem mais de 300 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Isso é 1% do total de emissões globais anuais.

O Projeto Shift analisou dois relatórios de empresas de rede para determinar seu tráfego de dados e calcular o consumo de eletricidade e as emissões de gases do efeito estufa associados. A organização criou até mesmo uma extensão de navegador (atualmente disponível apenas para Firefox), Carbonalyser, para ajudar os usuários a saberem quanto de emissões o seu uso atual de computadores está gerando.

Enquanto os serviços de streaming como Netflix e Prime Video representam 34 por cento dessas emissões, os vídeos de pornografia chegam em segundo lugar. O mundo está com tesão, e todo esse consumo de pornografia foi responsável por 27% de todas as emissões de carbono associadas ao streaming de vídeo online.

Esteja você curtindo um pornô ou maratonando Stranger Things, esses vídeos têm um impacto no planeta. Os autores deste relatório não estão pedindo o fim do nosso consumo de vídeo, mas querem que os usuários sejam mais conscientes e assistam menos, no geral.

“Se deixarmos os usuários de vídeo continuarem como estão agora, haverá um tempo em que simplesmente não conseguiremos sustentar esses usuários, e eu acho que é perigoso para a infraestrutura do mundo digital”, disse o autor do estudo Maxime Efoui-Hess, um oficial de projeto do The Shift Project, à Earther.

O relatório sugere algumas mudanças de design que podem ajudar a reduzir o impacto do setor no planeta. Por exemplo, os recursos de reprodução automática incentivam um consumo de vídeo contínuo, aumentando as emissões de gases do efeito estufa. Remover esses recursos pode nos ajudar a assistir a menos vídeos, algo que os pesquisadores por trás do estudo sobre o YouTube também concordaram. O YouTube poderia reduzir as emissões em até 550 mil toneladas aprimorando sua interface.

Mais importante, no entanto, os autores do estudo querem uma regulamentação das tecnologias digitais que, por exemplo, limitam a quantidade de dados a que os usuários têm acesso, ou a forma como os serviços são projetados para ajudar a gerenciá-los de forma mais sustentável. O relatório não menciona isso, mas se os centros de dados fossem alimentados com energia renovável, isso também ajudaria. No momento, eles dependem principalmente de combustíveis fósseis, como mostra o relatório do Greenpeace, e isso é problemático.

Efoui-Hess adora assistir a vídeos também, admite ele. Ele lembra que já ficou até às 2 da manhã assistindo ao YouTube, e ele mal se lembra do que diabos ele estava assistindo em primeiro lugar. Agora, no entanto, ele questiona o quanto ele realmente quer assistir a algo antes. Ele espera que todos possam começar por aí, porque todos esses vídeos têm um custo para o nosso planeta.