Setembro é o mês de prevenção ao suicídio — e a conscientização sobre a importância de cuidar da saúde mental precisa ser ainda maior durante a pandemia. Isso porque o isolamento, o luto e o medo do novo coronavírus se tornaram parte de nosso cotidiano.

Uma pesquisa divulgada no último dia 1º pelo laboratório Pfizer mostrou que mostrou que 79% dos entrevistados afirmaram que a pandemia impactou sua saúde mental de alguma forma. O estudo, realizada pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), ouviu 2 mil pessoas na cidade de São Paulo (SP) e nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador.

O levantamento revelou que os jovens foram os mais afetados: 39% das pessoas entre 18 e 24 anos sentiram que sua saúde mental ficou ruim nesse período e 11% afirmaram que ela ficou muito ruim.

Entre os sintomas e diagnósticos mais comuns estão tristeza (42%), insônia (38%), irritação (38%), angústia e/ou medo (36%), além de crises de choro (21%), ansiedade (16%) e depressão (8%). Porém, outros tipos de mal estar entram na lista, como síndrome do pânico (3%) e fobia social (2%).

Dos entrevistados, apenas 21% chegaram a procurar ajuda profissional e 11% estão em acompanhamento especializado. O que nos leva à questão: o que fazer se eu tenho algum desses sintomas ou se eu conheço alguém que está passando por isso?

1. Converse com pessoas especializadas

Psicólogos e psiquiatras conseguem diagnosticar um paciente de acordo com seus sentimentos e possíveis sintomas. Além disso, atualmente há grupos de apoio e de terapia gratuitos para amparar quem está sofrendo com ansiedade, depressão e outros transtornos psíquicos. O Centro de Valorização da Vida é o mais conhecido por ser um órgão de apoio emocional que atende todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. O contato pode ocorrer por telefone, email e chat 24 horas todos os dias. Ligue 188.

2. Reconheça os sinais de alerta

Saber reconhecer comportamentos, sensações ou até mesmo o discurso de quem está passando por essa situação é essencial para a proteção dessa pessoa. Embora não exista uma receita, especialistas destacam que o isolamento, atitudes autodestrutivas e abuso no uso de drogas podem ser sinais de alerta.

Segundo a psicóloga Victória Bolandini Lima, quando falamos sobre pessoas que não tem um diagnóstico de psicopatologias, as mudanças bruscas são as mais evidentes. “Quem era muito extrovertido e deixa de ser, ou quem gostava muito de fazer alguma atividade e a deixa de lado pode estar apresentando algum sintoma”, diz ao Gizmodo Brasil. “Insônia e perda ou ganho de peso muito rápidos também entram no radar.”

3. Companheirismo traz benefícios

Não ficar sozinho e não deixar o outro se sentir só é essencial nesse momento. Empatia é a palavra de ordem! “Acolher o sofrimento de alguém no sentido de validar o que ele está sentido, é ideal”, afirma Lima. “Ouvir a pessoa e fazer com que ela se sinta bem é o papel dos amigos e da família. Porém, cuidado com os conselhos! Apenas um profissional pode dar encaminhamento para o tratamento correto.”

Segundo a especialista, uma forma de demostrar empatia em uma conversa é dizer com as suas palavras o que entendeu do que o outro de disse. Ou seja, parafrasear. Além disso, saber mais sobre comunicação não violenta também é uma grande ajuda.

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4. Políticas públicas fazem a diferença

As políticas públicas têm um papel importante no combate à depressão. Isso significa que o governo pode estabelecer ações que reduzem o suicídio. Em 1996, a OMS lançou estratégias para os países implementarem e tentarem resolver esse problema, como limitar o acesso aos meios letais, cobertura responsável pelos meios de comunicação, ajudar jovens a desenvolver resiliência e busca ativa e acompanhamento de pessoas com ideação de comportamento suicida.

“As políticas com os maiores resultados são a educação de profissionais da saúde, identificação de indivíduos sob risco, comunicação responsável sobre ato suicida e a ampliação do acesso à saúde pública”, diz Victor Setti, pesquisador em políticas públicas na UFABC. “Restringir o acesso aos métodos letais também permite que aquela pessoa repense a decisão de cometer o ato.”