O Conselho de Educação do Alabama iniciou uma investigação depois que uma escola do ensino médio no condado de Escambia descobriu discrepâncias nas notas de diversos estudantes. De acordo com a emissora WKRG News 5, afiliada da CBS, aparentemente alguém hackeou os sistemas.

• Elaborado esquema de cola em provas na Ásia envolvia celulares escondidos e fones da cor da pele
• YouTubers estão putos depois de plataforma apagar vídeos que promoviam fraude acadêmica

A “W.S. Neal High School” em East Brewton, no Alabama, descobriu as inconsistências nas notas enquanto finalizava a lista de “top 10” estudantes com melhores performances. A escola adiou a nomeação do orador de turma das classes que se graduariam este ano e que deveriam receber seus diplomas no dia 22 de março.

O superintendente do condado de Escambia, John Knott, percebeu as discrepâncias e as relatou para o Conselho de Educação do Alabama, de acordo com a WKRG. Ele não revelou quantas notas foram afetadas, mas disse estar “determinado a encontrar todos os fatos sobre como essa alteração ocorreu” e que está “determinado a resolver o assunto”.

A escola, por sua vez, também está tomando suas próprias medidas, mas há um risco de questionar os métodos do superintendente e dos outros órgãos competentes. Enquanto o Conselho de Educação decidiu não liberar nenhum detalhe até que a investigação se complete, a escola aparentemente descartou a perícia digital na tentativa de fazer com que os alunos delatassem o suposto hacker.

Há relatos de estudantes que foram chamados pelo diretor da escola e pressionados a dizer se sabiam quem foi o responsável por alterar as notas, o que é uma tentativa de fazer com que os adolescentes cedam sob pressão e uma busca desesperada por pistas.

“Meu filho me ligou na tarde de terça-feira e basicamente me contou que estava acontecendo uma investigação com a lista dos top 10, que alguém hackeou as notas e vinha mudando os registros desde 2016”, disse Shannon Odom, pai de um estudante da W.S. Neal High School, à WKRG.

Para os estudantes, a principal preocupação está relacionada em como essa suposta invasão irá afetar suas posições na tal lista. Alguns estudantes podem ter sido retirado das primeiras posições por alguém que alterou suas notas, e perder o destaque pode afetar a busca por bolsas de estudos nas universidades.

Se as notas foram alteradas por algum estudante que estava tentando melhorar as suas chances em universidades ou simplesmente para evitar sanções disciplinares, ele não seria o primeiro a modificar as próprias notas.

Em 2015, o New York Post noticiou que um estudante de 16 anos em Staten Island, em Nova York, hackeou o sistema de computadores de sua escola, teve acesso aos seus relatórios e modificou suas notas. Ele foi acusado criminalmente pela tentativa, embora a polícia local tenha sugerido que a escola o contratasse para consertar as falhas do sistema.

No ano passado, um estudante da Universidade de Iowa conseguiu manipular suas próprias notas, bem como notas de alguns de seus amigos, depois que ele usou keyloggers (software malicioso que registra o que é digitado) para roubar as credenciais de login de professores. O estudante roubou questões de provas e exames e mudou suas notas 90 vezes durante 21 meses. O caso acabou com uma investigação do FBI.

Parece improvável que o incidente em Alabama tenha uma operação tão profunda por causa de um hacker. Cibersegurança suficiente é cara e muitas escolas falham em manter sistemas e redes seguras. De acordo com uma pesquisa conduzida pela Education Week, um terço das escolas de educação primária dos EUA sequer encorajam os membros do corpo docente a usarem senhas seguras. É preciso apenas uma senha fácil para que alguém obtenha acesso livre aos registros e notas.

[WKRG]

Imagem do topo: Getty