E se tudo o que aprendemos sobre nomenclatura de espécies nas aulas de biologia fosse mudado de uma hora para outra? É mais ou menos isso o que sugere um pesquisador da Virginia Tech, que acredita que classificar e nomear organismos com base na sequência do genoma facilitará a vida de cientistas ao redor do mundo.

Mas calma – a proposta não é revolucionar o sistema de nomenclaturas conhecido como Sistema de Linné, usado há mais de 200 anos na biologia. Boris Vinatzer, responsável pela proposta, acredita que o novo sistema poderia complementar o antigo, que sofre com limitações – o que é compreensível, considerando que estamos falando de algo proposto no século 18.

“A tecnologia de sequenciamento de genoma progrediu imensamente nos últimos anos e agora nos permite distinguir qualquer bactéria, planta, ou animal a um custo muito baixo”, explicou Vinatzer à PhysOrg. “A limitação do Sistema de Linné é a ausência de um método para nomear os organismos sequenciados com precisão”.

A ideia é adicionar um código de múltiplos dígitos para indicar quão semelhante é uma linhagem de uma espécia a outras. Um exemplo está no anthrax (Bacillus anthracis): existem mais de 1.200 linhagens da bactéria e cada uma delas recebeu um nome arbitrário por parte de pesquisadores. Com a proposta de Vinatzer, a semelhança entre elas seria indicada por esse código incluído ao nome da espécie. Assim, a linhagem usada em ataques bioterroristas pelo mundo, seria chamada lvlw0x, enquanto a linhagem armazenada pelo Instituto de Pesquisas de Doenças Infecciosas do Exército dos EUA seria conhecida como lvlwlx – a mesma espécie, mas ligeiramente diferente.

Mas, é claro, o novo sistema deve encontrar algum tipo de resistência antes de ser aceito pela comunidade científica. Vinatzer não é o primeiro a propor uma alteração no sistema de nomenclaturas, e a existência de mais uma ideia não deve contribuir para um consenso entre cientistas ao redor do mundo. Além disso, essa proposta enfrenta um grande problema: não seria possível classificar espécies extintas – ou ao menos muitas delas. Em alguns casos, como os dodôs, ainda temos algumas amostras de matéria orgânicas deles, portanto, seria possível adicioná-los à nova classificação. Mas em casos de espécies que só existem em fósseis, por exemplo, isso seria impossível.

Você pode conferir a proposta completa de Vinatzer no PLoS One (em inglês). [PhysOrg via Wired]

Crédito da foto de topo: Virginia Tech