Há algumas semanas, mil dos nossos leitores participaram do nosso teste de bitrate MP3. Hoje, com uma ajudinha de um perito em estatísticas, nós temos os resultados – e uma rate recomendada de ripagem com a qual a maioria de vocês pode se acomodar.

Os leitores que fizeram este teste ouviram três músicas com diferentes bitrates nos seus próprios sistemas de som e identificaram o limiar no qual a qualidade do arquivo deixava de fazer diferença pros ouvidos. Após avaliar estatisticamente os resultados, nós não só descobrimos que há uma bitrate com a qual a maior parte de nós consegue viver, mas também descobrimos que há toda uma rebuscada alegria em se ouvir áudio sem compressão, especialmente se você desembolsou uma nota preta no seu sistema de som.



O que descobrimos

Se você estiver convertendo MP3s no iTunes, faça isso a 256Kbps.  Por quê? O pico médio de bitrate que os usuários relataram conseguir distinguir nas três músicas testadas foi de 218,68Kbps (quando removemos WAVs, os estranhos dos resultados). Mire um pouco acima deste valor de 218Kbps e você terá encontrado o ideal (notavelmente, os usuários relataram diferentes resultados de bitrates nas três músicas. Aposto que a qualidade da gravação da fonte – mesmo dentro de CDs – pode realmente fazer diferença, mesmo quando uma música está comprimida).

Logicamente, os nossos dados são ainda mais interessantes do que apenas dar conselhos sobre bitrates     de MP3. Outros achados:

19,65% de todos os participantes responderam que WAVs tinham som melhor que MP3s em pelo menos uma das três músicas que testaram. Apesar da superioridade dos WAVs poderem ser uma diferença por efeito sugestão (nosso teste não foi cego), é tão difícil assim acreditar que áudio sem compressão seja nitidamente melhor? Com a constante expansão do tamanho dos discos rígidos, até mesmo dos laptops, talvez o áudio sem compressão (ou mesmo compressão de áudio sem perda, como o formato FLAC) mereça ser levado em consideração.

Ainda assim, o nosso achado mais interessante foi uma correlação estatisticamente significativo entre a quantidade de tempo que um ouvinte passou com seu equipamento de áudio e a bitrate máxima que foram capazes de detectar. Em outras palavras, quanto mais caro o som do participante, mais alta foi a bitrate que ele preferiu.

Por que uma correlação tão notável assim? Pode haver diversas explicações. As distinções de bitrate podem ser mais fáceis de discernir em equipamentos de áudio mais acusticamente responsivos (que geralmente são mais caros). Os compradores de equipamentos de áudio mais high-end podem simplesmente ter ouvidos mais apurados (e justamente por isso investem mais). Ou, é claro, aqueles que gastam mais em seus alto-falantes podem estar se iludindo com o seu próprio esnobismo.

De fato, a correlação pode ser uma combinação de todos estes três fatores….ou de nenhum deles.

Foi um teste divertido e ficamos contentes com tantos leitores dando um tempinho nas suas outras responsabilidades para participar dele. Se nada mais foi útil, pelo menos deu pra bolar uns gráficos animais. Sacou?

* Os resultados relatados foram baseados na compilação de dados de 743 pesquisas completas entre mais de 1000 pesquisas. Os dados relatados sem a consideração de WAV de alguns dos nossos resultados vieram de 597 pesquisas completas.

FAQ
Por que vocês não testaram FLAC ou algo do gênero?
Pense bem: a pessoa mediana abre o iTunes para importar seus CDs em formato MP3. Ela não está baixando software especial de terceiros. Então este teste foi mais voltado para este tipo de pessoa. A humanidade poderá realizar testes adicionais no futuro, com certeza. E, além disso, se um formato for verdadeiramente “lossless” (sem perda), então o teste com WAV já satisfaz a esta categoria.

Por que o teste não foi cego?
Respondendo de forma simplificada, é porque o teste cego confiável não era factível. Mesmo que não divulgássemos as bitrates das músicas, os usuários poderiam facilmente descobrir a bitrate vendo os metadados ou comparando os tamanhos dos arquivos. É uma limitação que assumimos e não estamos tirando nenhuma conclusão injustificada ao levarmos em consideração esta limitação. Ademais, muitos peritos em som acham que o teste cego é na verdade falho. Não vamos entrar neste mérito, mas há bons argumentos de ambos os lados.

Um agradecimento especial à Definitive por nos fornecer duas das suas maravilhosas Mythos STS Supertowers (3 mil dólares o par) e à Pioneer por nos emprestar o recém-lançado VSX-1019AH-K (500 dólares), um excelente receiver com notável integração com iPhone/iPod.