Não faltam teorias para explicar as forças por trás da morte do Kin. Claro, no final a decisão foi tomada porque o aparelho não estava vendendo bem. Mas uma teoria da ZDNet diz que brigas entre panelinhas internas da Microsoft condenaram o Kin desde o começo.

No começo, o Kin estava previsto para ser um celular com Windows Mobile 7. Só que o Windows Mobile 7 foi abandonado em favor do Windows Phone 7, que – obviamente – não estava pronto à época do lançamento do Kin. O que, de acordo com um comentarista anônimo no blog Mini Microsoft, levou a uma disputa de poder:

Em maio de 2009, [o chefe de engenharia do Windows Phone, Terry] Myerson, decidiu acabar com [o Kin] porque ele estava concorrendo com o próprio bebê dele, o WP7. Como o WP7 não estava pronto (e ainda hoje ele está longe de pronto!) o executivo disse a ele que o KIN iria continuar. Como retaliação, ele acabou com o suporte da equipe dele ao projeto KIN. E adivinha só? A equipe do KIN teve que assumir boa parte da [criação de] código base, postergando todos os apps+serviços de valor agregado. Agora você entende porque existe essa falta de apps no KIN. Quem vai ganhar no médio/longo prazo? O Sr. Myerson, obviamente, por isso eu decidi sair.

Então a casa dividida deixou o Kin abandonado no mercado selvagem de celulares? Não é tão simples assim, de acordo com outro comentarista:

O comentarista anterior convenientemente esqueceu de falar que os planos originais do Kin não eram realistas – eles iriam lançar um dispositivo baseado em WP7 antes que o WP7 estivesse pronto. Ele ignora o fato de que o núcleo da equipe do WP7 precisava focar em levar um celular com WP7 ao mercado, e que dar suporte a mais uma plataforma de hardware diferente é contrário a isso…

Se a administração do KIN tivesse alguma responsabilidade, eles teriam construído [o KIN] em cima da plataforma WP7, em vez de pegar algumas centenas de pessoas para fazer um produto só e apressado, e depois reclamar da falta de suporte para um dispositivo fora da plataforma…

Claro, o fato de que pelos primeiros dois anos o plano Kin NÃO iria criar uma plataforma concorrente de aplicativos parece ter passado despercebido no seu postzinho.

A beleza do Kin de fato são os serviços online, que deveriam ser adaptados bem para o WP7 quando for a hora. Todo o resto é uma merda em chamas. Este é um daqueles casos onde a MCB [Mobile Communications Business] deveria ter lançado todas as flechas no mesmo alvo. Em vez disso, a administração gastou milhões na Danger e tirou o foco das equipes principais em bizarrices secundárias como o Kin…

O debate é quente! Ao mesmo tempo, o que aconteceu: a aposentadoria de Robbie Bach, chefe de Entretenimento e Dispositivos da Microsoft, que ou piorou ou resolveu esta confusão.

Ou seja, se a Microsoft tivesse reunido seus vários departamentos – ou pelo menos se tivesse colocado a MCB na linha – o Kin One e o Kin Two ainda estariam vivos? Não dá pra saber. Mas o Project Pink, como inicialmente concebido, poderia ter sobrevivido. [ZDNet]