A sonda Schiaparelli da Agência Espacial Europeia (ESA) não pousou em Marte como era esperado ontem (19). Durante uma coletiva de imprensa na manhã de hoje (20), cientistas da missão ExoMars confirmaram que o sinal da sonda foi cortado cerca de 50 segundos antes do pouso, e que alguma coisa deu errada nos passos finais, na hora que ele se soltou do paraquedas. A ESA está analisando os dados coletados por satélites e telescópios para saber exatamente o que aconteceu.

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A ExoMars, uma missão feita em colaboração entre a ESA e a agência espacial russa Roscosmos para buscar indícios de atividade biológica e geológica no planeta vermelho, chegou a Marte ontem depois de uma jornada de sete meses. A nave-mãe da sonda, a Trace Gas Orbiter (TGO), realizou sua manobra de inserção orbital com sucesso, se tornando o segundo satélite da ESA a circular em Marte.

O Módulo de Entrada, Descida e Pouso Schiaparelli (também chamado de EDM) não se saiu tão bem, no entanto. Sua tarefa ontem era chegar na superfície do planeta sem danos, ao realizar uma sequência de pouso automatizada que incluía entrada balística, liberação de escudo de calor, ativação do paraquedas e, por fim, um disparo dos seus retropropulsores 30 segundos antes de tocar o chão.

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Sequência de pouso da sonda Schiaparelli. Imagem via ESA/ATG medialab.

Antes de entrar na atmosfera marciana, o telescópio Giant Metrewave Radio Telescope (GMRT) na Índia começou a receber sinais da Schiaparelli, mas como a ESA disse ontem, esse sinal foi perdido “algum tempo antes do pouso.” Uma pequena frota de satélites que orbitam Marte, incluindo o Mars Express da ESA, a sonda MAVEN da NASA e o Mars Reconnaissance Orbiter, assim como o recém-chegado TGO, foram mobilizados para buscar a sonda.

Dados de telemetria coletados pelo TGO e enviados nesta manhã serão fundamentais para entender o que aconteceu com a Schiaparelli, que parece ter conseguido entrar na atmosfera de Marte com sucesso, liberado seu escudo de calor, ativando o paraquedas, e desacelerando de 12.000 km/h para 250 km/h.

Cerca de um quilômetro acima da superfície, quando o paraquedas e o escudo estavam para ser liberados e os retropropulsores deveriam ser ativados, a sonda encontrou problemas. “Essa ejeção em si parece ter acontecido antes do esperado, mas a análise ainda não está completa”, disse a ESA em um comunicado. Além disso, parece que os propulsores dispararam por alguns segundos, em vez dos 30 esperados. Cerca de 50 segundos antes do pouso, a transmissão da Schiaparelli foi interrompida.

Por mais decepcionante que seja ouvir que o pouso não saiu como o esperado, vale ressaltar que a Schiaparelli era apenas um teste para a ESA. O propósito da sonda era demonstrar a tecnologia que será usada para levar sondas maiores para a superfície do planeta em 2020 – e essa demonstração inclui detectar e corrigir qualquer falha de design.

Assim que a ESA descobrir exatamente o que deu errado, os cientistas vão trabalhar para garantir que o mesmo erro não ocorra novamente. Em meio a tudo isso, pelo menos temos um novo satélite científico ao redor de Marte.

Imagem de topo: conceito artístico da Schiaparelli com o paraquedas ativado. Via ESA/ATG medialab