O projeto Solar Orbiter, uma colaboração entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a NASA, iniciou uma nova etapa crítica da missão após o primeiro encontro íntimo da sonda com o Sol.

Nesta segunda-feira (15), o Solar Orbiter completou sua primeira aproximação do Sol, também conhecido como periélio, chegando a um raio de 77 milhões de quilômetros da nossa principal estrela.

É um marco significativo para a missão, pois a sonda, lançada em fevereiro, passou da fase de comissionamento para a fase de navegação. Os controladores da missão agora testarão seus diversos instrumentos a bordo nos próximos cinco meses. Somente depois disso que o Solar Orbiter iniciará oficialmente a fase científica da missão.

Desenvolvida pela ESA com a ajuda da NASA, a sonda possui 10 instrumentos distintos a bordo, muitos dos quais se complementam entre si. Equipada com seis câmeras diferentes, a sonda proporcionará uma visão do Sol em uma aproximação sem precedentes. O objetivo principal da missão é entender melhor o Sol e como ele cria e controla o ambiente dinâmico dentro do nosso sistema solar.

“Nunca tiramos fotos do Sol de uma distância menor do que esta”, disse Daniel Müller, cientista do projeto Solar Orbiter da ESA, em um comunicado à imprensa. “Já tivemos close-ups de maior resolução, por exemplo, tirados pelo Telescópio Solar Daniel K. Inouye no Havaí, no início deste ano. Mas a partir da Terra, com a atmosfera entre o telescópio e o Sol, você só consegue ver uma pequena parte do espectro solar que pode ser visto do espaço.”

Representação artística do Solar Orbiter. Gif: ESA/ATG medialab/Gizmodo

Essa missão não deve ser confundida com a Sonda Solar Parker da NASA, que foi lançada em 2018. A sonda Parker está atualmente girando pelo espaço à medida que se aproxima cada vez mais do Sol, onde fará um mergulho final – um sacrifício que renderá informações importantes sobre a coroa solar ou atmosfera externa da estrela.

Ao contrário do Solar Orbiter, porém, a Parker não possui câmeras. Uma comparação melhor seria o Observatório Dinâmico Solar (SDO) da NASA, que tira imagens de alta resolução do Sol mas a distâncias próximas a 1 AU, que é a distância média entre a Terra e o Sol. O Solar Orbiter está muito mais próximo, atualmente a 0,515 AU do Sol.

“Esta é a primeira vez que nossos instrumentos in-situ [a bordo] operam a uma distância tão próxima do Sol, proporcionando-nos uma visão única da estrutura e composição do vento solar”, disse Yannis Zouganelis, cientista adjunto do projeto para a missão. “Para os instrumentos in-situ, isto não é apenas um teste, esperamos resultados novos e emocionantes.”

Os controladores da missão agora vão colocar as ferramentas do Solar Orbiter para funcionar, coletando dados preliminares sobre a coroa solar, superfície, heliosfera, campo magnético e partículas dentro do vento solar. As primeiras imagens coletadas pelo Solar Orbiter – que devem ter o dobro da resolução das imagens da SDO – só serão lançadas em julho.

No futuro, o Solar Orbiter chegará a menos de 42 milhões de quilômetros do Sol, ou a 0,28 AU, o que é ligeiramente mais próximo do periélio de Mercúrio, de 0,31 AU. A Sonda Solar Parker, para efeitos de comparação, chegará a menos de 6,1 milhões de quilômetros (ou 0,04 AU) do Sol, mas os objetivos da missão são diferentes.

Também futuramente, uma série de assistências de gravidade da Terra e de Vênus desviará o Solar Orbiter de sua posição atual ao longo do plano eclíptico planetário por um fator de 24 graus. A essa altitude orbital mais elevada, a sonda escaneará os pólos do Sol e nos dará uma visão dessas esquivas regiões solares, que influenciam o campo magnético do Sol e os ventos solares.

É um momento emocionante para estudar o Sol. As descobertas tanto da Sonda Solar Parker quanto do Solar Orbiter devem melhorar drasticamente nossa compreensão do tempo espacial e possivelmente aumentar nossa capacidade de prever erupções solares potencialmente perigosas.