O terremoto Tohoku de 2011 que causou o tsunami por trás do desastre nuclear de Fukushima causou estragos além de estruturas criadas pelo homem. O satélite GOCE da Agência Espacial Europeia mediu uma mudança significativa na gravidade da Terra após o terremoto, e antes de voltar à Terra em 11 de novembro.

O satélite GOCE foi lançado em 2009 e coletou dados para mapear a gravidade da Terra com bastante precisão. Por mais que geralmente imaginamos a gravidade como uma constante (uma suposição bem conhecida por estudantes iniciantes em Física), a força varia regionalmente devido à distribuição desigual de material na profundidade da Terra. O satélite recebeu a tarefa de medir a variação para produzir um mapa gravitacional detalhado:

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O que os pesquisadores não esperavam era que o GOCE conseguisse capturar uma mudança gravitacional em tempo real. Mas o terremoto de 2011, o quinto mais forte já registrado, mudou formações rochosas subterrâneas e alterou a forma do leito do mar, mudando a força gravitacional na costa do Japão. Ele foi tão poderoso que instrumentos no satélite até registraram ondas sonoras emanando do movimento tectônico.

Na imagem no topo do post, vemos áreas de força gravitacional reduzida (azul) e aumentada (amarelo) ao redor do epicentro do terremoto (indicado pela “bola de praia” amarela e branca). Compara com o mapa gravitacional completado um ano antes do terremoso, onde o Japão está em um plano gravitacional relativamente uniforme:

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Em relação ao satélite, após um breve período de preocupação no mês passado quando cientistas afirmaram não conseguir prever com exatidão onde ele cairia, o GOCE cruzou os céus sobre a Sibéria, os oceanos Pacífico e Índco, e a Antártida, queimando completamente no processo. Ele nos deu um entendimento claro da gravidade da Terra – uma força da qual ele não conseguiu escapar. [European Space Agency]

Imagens via ESA