A rede segura e anônima Tor sempre teve a reputação de ser um local para botnets, reis da pornografia e traficantes de drogas. “Mas é uma ferramenta incrível para dissidentes políticos, uma forma de escapar da espionagem governamental!”, você pode dizer frente a toda a polêmica envolvendo a NSA. Novamente, primeiras impressões costumam estar corretas.

Parece ser o caso com o Tor. A rede Tor é dominada por botnets, pornografia e bens do mercado negro, especialmente drogas ilícitas, de acordo com uma equipe de pesquisadores de Luxemburgo que descobriu, no começo do ano, um exploit no software do Tor que permitia a eles acesso aos não-tão-anônimos usuários da ferramenta. Depois de extrair dados de 39 mil usuários do Tor, eles relataram o exploit e a brecha foi corrigida imediatamente. A partir dados que os pesquisadores analisaram, eles puderam identificar que os sites mais acessados da rede e, agora, divulgaram os números.

E, de fato, a maioria do tráfego vem de botnets e sites pornô — os potencialmente ilegais. Mais especificamente, dos 20 dos endereços mais populares do Tor, 11 são de botnets e cinco, de sites pornográficos. Fora essas duas categorias, o restante do tráfego vem de sites de mineração de Bitcoins e o Silk Road, o famoso mercado de drogas pesadas.

Isso, claro, não significa que você deveria largar o Tor. Na real, ele ainda é a melhor maneira de navegar na web anonimamente, ainda que com alguns riscos. Mas a dominação por botnets no Tor é algo que merece atenção, especialmente agora que o anonimato na rede está sob ataque. Normalmente, esses sacanas deixam a rede lenta, mas eles têm sim capacidade de causar algum dano. Seja cuidadoso no Tor. Não estamos julgando, apenas alertando-o de que, agora, as coisas estão um pouco instáveis por lá. [MIT Technology Review]