A era da informação gerou mais informações que toda a humanidade pudesse esperar processar manualmente, mas, com a ajuda da inteligência artificial, a avalanche de dados está agora se revelando mais útil do que pensávamos que seria possível. Os sinais wireless onipresentes que nos mantêm conectados podem agora ser usados como raios-X para ver e monitorar o movimento das pessoas, mesmo quando elas estão escondidas atrás de paredes.

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Embora não sejam visíveis aos olhos humanos, ondas de rádio ainda saem dos corpos humanos da mesma forma que sinais sem fio emanam de antenas de transmissão. A maneira como esses sinais saltam e se dispersam pode ser medida, e pesquisadores do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial (CSAIL) do MIT conseguiram treinar uma rede neural para extrair as posições e movimentos das pessoas, interferindo os sinais de radiofrequência.

Como bebês, redes neurais precisam ser treinadas sobre o que devem buscar para analisar o mundo. Isso geralmente envolve aplicar uma série de dados nelas que incluem horas de gravação, ou milhares de fotos, com dados correspondentes de descrição de cada item. Para essa pesquisa, os pesquisadores do CSIL treinaram a rede neural deles com fotos de pessoas fazendo atividades comuns, como andar, se sentar e falar.

A inteligência artificial então aprendeu como gerar representações de esqueleto que imitam poses e movimentos das pessoas em fotos, e então esses esqueletos correspondem às medições de sinais de rádio. Uma hora, a rede neural foi capaz de gerar esses esqueletos ao analisar apenas os dados do sinal de rádio, que facilmente pode passar por paredes quando a luz não consegue. Isto é visão de raio-X sem a necessidade de usar raio-X prejudiciais.

As representações esqueléticas dos humanos criadas pelo sistema são definitivamente brutas, mas os pesquisadores do CSAIL estão trabalhando para gerar representações 3D que incluam movimentos sutis e lentos. Uma das aplicações práticas da pesquisa deles poderia ser em hospitais ou lares de idosos, em que os movimentos (como quedas perigosas) ou sintomas (tremor das mãos) dos pacientes poderiam ser monitorados sem o uso de câmeras de vídeo intrusivas que não funcionam no escuro.

A inteligência artificial poderia até identificar alguém apenas analisando o movimento delas em 83% das vezes quando treinada com um grupo de 100 pessoas distintas. Como uma ferramenta para combate ao crime, a tecnologia tem também bastante potencial, ao eliminar a dificuldade de identificar pessoas vestindo máscara ou em ambientes escuros. No entanto, as implicações são também assustadoras quando pensamos em privacidade — como sinais de rádio invisíveis estão por toda a parte, parece que é quase impossível de evitar que alguém use isso para monitorar as pessoas sem elas notarem.

[MIT News via Taxi]

Imagem do topo por MIT CSAIL