A Polícia Federal sempre escolhe nomes bem curiosos para suas operações, e hoje chamou a atenção por deflagrar dezenas de mandados judiciais na Operação Java. Por que ela se chama assim?

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Não é um combate à linguagem de programação nem aos famigerados plugins de banco: é uma referência aos sistemas da Receita Federal, que estaria sofrendo fraude em diversos estados.

A PF explica em nota que algumas empresas estariam adquirindo créditos fantasmas para quitar dívidas de imposto com o Leão, pagando valores abaixo do devido. Algumas delas até pegaram esses créditos para fingirem estar em situação regular e participarem de licitações públicas.

O esquema seria tão grande que teria reduzido a arrecadação federal no último mês de agosto. Assim, 150 policiais no Distrito Federal e nos estados da Bahia, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo estão cumprindo 42 mandados judiciais, entre prisões temporárias, conduções coercitivas, e busca e apreensão.

“Java é uma linguagem de programação orientada a objetos utilizada para a programação de diversos programas, inclusive da Receita Federal”, diz a PF em nota.

A PF já usou nomes tecnológicos no passado. Em 2006, foram três vezes: a Operação Ctrl+Alt+Del visava combater o roubo de senhas de banco na internet; a Operação I-Commerce (referência ao termo e-commerce) prendeu diversas pessoas que faziam produtos piratas e os vendiam online; e a Operação Tráfico.com desmontou um esquema para vender medicamentos proibidos pela internet.

Em 2007, a Operação Pen Drive prendeu uma quadrilha que clonava cartões de crédito e débito no Brasil para efetuar saques na China, Rússia e Argentina. E, este ano, tivemos a Operação Hashtag, deflagrada às vésperas dos Jogos Olímpicos do Rio para investigar uma suposta célula do Estado Islâmico no Brasil.

Segundo a Superinteressante, quem começou a tradição de nomes curiosos para as operações da PF foi o ex-diretor-executivo Zulmar Pimentel: “os nomes podiam até ser sugeridos pelos delegados, mas era o nº 2 do órgão quem aprovava e até as renomeava as operações se assim achasse necessário”. Zulmar foi afastado do cargo em 2007 após uma investigação interna, mas a tradição continua.

[Polícia Federal via Estadão]

Foto por Joey Rozier/Flickr