Ciência

Os opostos se atraem? Não entre as aves marinhas

Novo estudo com gaivotas indica que os casais de aves marinhas duram mais tempo juntos quando tem personalidades semelhantes
Imagem: Eder Pozo Pérez/ Unsplash/ Reprodução

Casais de aves marinhas com personalidades semelhantes são menos propensos a procurar outro parceiro. Isso porque eles têm maior probabilidade de serem pais bem-sucedidos. O estudo da Universidade de Liverpool foi publicado em artigo na revista Ethology.

Entenda a pesquisa

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Em geral, as aves marinhas são monogâmicas e vivem muito tempo, geralmente mantendo o mesmo parceiro. Contudo, parte delas se reproduz em condições muito complexas, o que torna difícil para apenas uma delas oferecer cuidados suficientes para criar os filhotes.

Isso faz com que os pais dependam um do outro para ajudar a encontrar comida e proteger o ninho. 

Dessa forma, uma das poucas coisas que podem levar as aves marinhas a buscar um novo parceiro é a perda de seus filhotes, causada pela falta de compatibilidade nos cuidados entre elas.

Para investigar este aspecto, pesquisadores estudaram uma população selvagem de gaivotas-tridáctilas em Svalbard, no Círculo Ártico.

Eles testaram a personalidade de cada uma dessas aves marinhas com objetivo de avaliar seu nível de ousadia, que envolveu o estudo de sua reação a um brinquedo pinguim de plástico azul. 

Então, a equipe de pesquisa comparou as personalidades dentro dos pares acasalados, observando o sucesso deles como pais.

A parceria entre as aves marinhas

Eles descobriram que casais com uma diferença maior na personalidade tinham mais chances de perder seus filhotes. Isso, por sua vez, tornava a separação do casal mais provável.

“Nossas descobertas sugerem que ter personalidades semelhantes dentro dos pares facilita aos pais prever e responder ao comportamento um do outro”, explica Fionnuala McCully, autora da pesquisa.

Segundo os cientistas, as aves marinhas passam longos períodos separadas de seus filhotes quando estão procurando comida no mar. Dessa forma, aquela que fica cuidando da prole precisa tomar decisões sem ter o parceiro como referência. 

Quando elas têm personalidades semelhantes, é provável que tomem decisões semelhantes, que beneficiem ambas. Dessa forma, a pesquisa sugere que os relacionamentos animais podem precisar exatamente da mesma coisa que os humanos.

Ainda assim, os pesquisadores alertam para o risco da espécie. Apesar de ser a gaivota mais comum do mundo, as populações de gaivotas-tridáctilas estão em declínio dramático em todo o mundo.

Como principais motivos, estão as mudanças climáticas e outras atividades humanas, como a pesca excessiva. Assim, é ainda mais difícil para elas criar seus filhotes até a idade adulta.

Com isso em mente, nenhum nível de compatibilidade de personalidade será suficiente para preparar as gaivotas-tridáctilas para os desafios que enfrentam no futuro.

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Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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