Neste momento, a OSIRIS-REx é uma das sondas espaciais mais ocupadas do sistema solar. A nave, que foi lançada em setembro de 2016, tem se preparado para encontrar-se com o objeto de sua missão – um asteroide chamado Bennu – com o objetivo de trazer de volta algumas amostras de poeira para a Terra. Mas antes dela conseguir entrar em contato com Bennu em 2018, deram uma missão paralela para ela.

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Durante 10 dias deste mês, a OSIRIS-REx irá investigar se asteroides troianos existem ou não num determinado ponto da órbita da Terra chamado ponto de Lagrange. Embora Júpiter tenha asteroides troianos, não está claro se os pontos de Lagrange da Terra abriga objetos similares. Afinal, apenas um asteroide da Terra desse tipo já foi encontrado.

“A Terra orbita em torno do Sol, e a Terra tem um campo gravitacional e o Sol tem um campo gravitacional”, explicou Dante Lauretta, principal investigador do OSIRIS REx. “Por essas propriedades, existem certos pontos no espaço onde esses dois campos balanceiam um ao outro, eles se chamam pontos de Lagrange”.

osiris-terraImagem: University of Arizona/Heather Rope

O OSIRIS-REx irá sintonizar seus instrumentos na busca pelos asteroides troianos em dois pontos de Lagrange, chamados L4 e L5, que são estáveis o suficiente para que esses objetos possam existir ali. Esses pontos estão localizados a 60 graus acima e 60 graus atrás da Terra em sua órbita elíptica em torno do Sol.

“Existem regiões de estabilidade que persistem desde a formação do sistema solar”, disse Lauretta. “Isso é bem animador, porque existe uma chance de que os materiais que construíram o planeta sejam resquícios dos objetos presos nesses pontos de Lagrange”.

Muitas pesquisas sobre as origens da Terra focam nos meteoritos. Mas a maioria dos meteoritos na Terra vieram de um cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Observar os asteroides troianos pode oferecer um retrato mais exato sobre o material que formou nosso planeta.

“Enquanto [os meteoritos do cinturão de asteroides] dizem muito sobre o início do sistema solar e as evoluções geológicas dos nossos planetas, eles não representam realmente o material que veio a formar a maior parte da Terra”, disse Lauretta. “A ideia de que poderíamos encontrar os blocos de construção primordiais do nosso planeta, presos nos pontos de Lagrande… Acho isso super animador”.

Desde que foi lançado em setembro, o OSIRIS-REx não desperdiçou nenhum momento. Ele realizou uma série de manobras de mudança de trajetória bem sucedidas, além de conseguir realizar uma manobra no espaço profundo para se preparar por uma passagem pela Terra em setembro de 2017, com o objetivo de aumentar a velocidade heliocêntrica e a inclinação. A partir daí, ele irá buscar Bennu, que orbita o Sol a uma distância de 1,6 e 0,8 unidades astronômicas (1 UA é a distância entre a Terra e o Sol). OSIRIS-REx e Bennu finalmente se encontrarão em agosto de 2018.

“Tudo tem acontecido perfeitamente e de acordo com o planejamento”, disse Lauretta. “Agora estamos exatamente no centro da assistência gravitacional da Terra [em setembro]”.

Ficaremos de olho no que a OSIRIS-REx vai mandar pra gente.

Imagem do topo: Goddard Space Flight Center da NASA