Ciência

Outro recorde que cai: janeiro de 2024 foi o mês mais quente da história

Temperatura média global dos últimos doze meses (fevereiro de 2023 a janeiro de 2024) é a mais alta já registrada, 0,64°C acima da média de 1991-2020
Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Janeiro de 2024 foi o mês mais quente da história. O recorde veio a público nesta quinta-feira (8) pelo Copernicus, órgão da União Europeia que investiga as mudanças climáticas.

O Copernicus relatou uma temperatura média do ar na superfície de 13,14°C em janeiro de 2024, que é 0,70°C acima da média de janeiro de 1991-2020 e 0,12°C acima da temperatura do janeiro mais quente anterior em 2020.

Isto torna mês o oitavo consecutivo mais quente já registado. Os dados se baseiam em análises de dados sobre variáveis ​​climáticas atmosféricas, terrestres e oceânicas.

Ainda segundo o órgão europeu, a temperatura média global dos últimos doze meses (fevereiro de 2023 a janeiro de 2024) é a mais alta já registrada, 0,64°C acima da média de 1991-2020 e 1,52°C acima da média pré-industrial de 1850-1900.

“2024 começa com outro mês recorde – não só é o janeiro mais quente já registrado, mas também acabamos de vivenciar um período de 12 meses de mais de 1,5°C acima do período de referência pré-industrial”, disse ao EuroNews Samantha Burgess, diretora do Copernicus.

Ano mais quente dos últimos 100 mil

O aquecimento global tem se tornado cada vez mais uma emergência mundial. Prova disso é que o ano de 2023 foi o mais quente dos últimos 100 mil.

De acordo com o Copernicus, todos os dias do ano foram (no mínimo) 1º C mais quente do que o ano de 2022. Inclusive, em dois dias de novembro, ficaram 2°C mais quentes. Este novo recorde ultrapassa em +0,17° C o anterior, de 2016.

A temperatura média da superfície marinha, outro indicador fundamental, também está batendo recordes em todos os oceanos do mundo, advertiu o Copernicus.

Fracasso do Acordo de Paris

Um estudo publicado na revista Nature trouxe à tona fatos alarmantes sobre o estado atual do aquecimento global e suas possíveis implicações para o futuro. As revelações colocam em risco o cumprimento do Acordo de Paris.

A pesquisa, que analisou registros de temperatura oceânica dos últimos 300 anos, revelou que o aquecimento da era industrial começou muito antes do que se pensava, já na década de 1860.

Essa descoberta coloca em xeque as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris, que tem como principal objetivo impedir que o aumento na temperatura média da Terra chegue a 2°C, em comparação ao período pré-Revolução Industrial, até 2100.

Esse patamar, no entanto já será ultrapassado em 2030, segundo o estudo. Para os cientistas, o aquecimento global já estava 1,7°C acima dos níveis pré-industriais em 2020. Esta é uma cifra 0,5°C superior às estimativas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

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Gabriel Andrade

Gabriel Andrade

Jornalista que cobre ciência, economia e tudo mais. Já passou por veículos como Poder360, Carta Capital e Yahoo.

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