Paleontólogos encontram fóssil “perfeito” de tartaruga jurássica na Alemanha

Fóssil é o primeiro que inclui crânio, casco e os quatro membros completos do animal, que viveu no país europeu há 150 milhões de anos
reconstrução artística da tartaruga jurássica em seu habitat natural
Imagem: Peter Nickolaus/Reprodução

Paleontólogos encontraram um fóssil de tartaruga perfeitamente preservado, com 150 milhões de anos, no sudeste da Alemanha. O espécime de Solnhofia parsonsi, espécie descoberta em 1975, é o primeiro que inclui o crânio, o casco completo e os quatro membros intactos do animal.

O fóssil foi encontrado em 2014, em uma pedreira de calcário que é rica em fósseis da última parte do período Jurássico – de 199,6 milhões a 145,5 milhões de anos atrás. Agora, pesquisadores da Universidade de Tübingen analisaram o material e publicaram um estudo com suas descobertas na revista científica PLOS One.

A tartaruga extinta media 30 centímetros de comprimento, e sua cabeça triangular tinha quase 10 centímetros. “A Solnhofia pode ter usado sua cabeça grande para esmagar alimentos duros, como invertebrados com carapaça, como vemos em algumas tartarugas modernas”, disse Márton Rabi, co-autor do estudo, em comunicado. “Mas isso não significa que eles formavam exclusivamente sua dieta.”

Fotografia do fóssil de tartaruga

Tartaruga tinha cabeça de 10 centímetros de comprimento e membros relativamente curtos. Imagem: University of Tübingen/Reprodução.

Os pesquisadores observaram que os membros anteriores e posteriores da tartaruga são relativamente curtos. Essas características sugerem que a S. parsonsi viveu perto da costa, em vez de nadar centenas de quilômetros no mar aberto. Ela é diferente das tartarugas modernas, que têm nadadeiras e dedos alongados, ideais para este fim.

O habitat da tartaruga

Essa hipótese faz sentido quando se pensa em como era, há 150 milhões de anos, a pedreira de calcário em que se encontrou a tartaruga. Acredita-se que um mar tropical raso se estendia pelo sul da Alemanha, formado por pequenas ilhas. O habitat da S. parsonsi, nesse contexto, provavelmente era um conjunto de recifes costeiros e lagoas.

A equipe explicou em comunicado que partículas flutuantes se depositaram no chão da bacia, ao longo de milhões de anos, formando camadas de calcário. Provavelmente havia baixa troca da água da lagoa com o mar aberto, então o teor de oxigênio era baixo e o teor de sal era alto. 

Isso criou um ambiente perfeito para preservar fósseis. As plantas e animais que morriam não se decompunham facilmente – e assim ficaram em meio às camadas de calcário. Por isso, a região é considerada um dos sítios paleontológicos mais importantes do mundo, com fósseis da Era Mesozóica – de 252 a 66 milhões de anos atrás, que inclui o Período Jurássico. A escavação sistemática de fósseis por lá acontece desde os anos 2000.

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