A marca Palm, que ficou famosa por seus assistentes pessoais digitais, está de volta. Ela chega com um produto que pretende criar uma nova categoria de dispositivos inteligentes.

Chamado simplesmente de “Palm”, o aparelho é um smartphone perfeitamente funcional que roda Android 8.1 com uma skin personalizada e completo acesso a seus apps favoritos. Ele chega a um mercado em que aparelhos enormes viraram o padrão.

A intenção, porém, não é substituir seu iPhone ou seu Galaxy Note ou qualquer que seja seu celular enorme, mas sim ser um aparelho complementar que ajuda você a se desconectar em alguns momentos. Em outras palavras, é essencialmente uma alternativa a um dumb phone ou a um smartwatch, que oferece mais recursos, mas sem deixar você viciado, sem tirar os olhos da tela.

A coisa mais singular sobre o Palm é que você precisa ter um smartphone e um plano da Verizon, operadora de celular dos EUA, onde ele está sendo lançado. A empresa aposta que haverá gente suficiente disposta a pagar US$ 349 no aparelho, exclusivo da operadora, e mais US$ 10 por mês para adicioná-lo ao seu número existente.

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Dennis Miloseski, ex-designer da Samsung, se juntou a outros veteranos da indústria para relançar a marca Palm. Ele disse à Variety que o Palm serve para várias atividades do dia a dia, como ouvir música, praticar atividades físicas ou curtir o fim de semana. “A ideia é fazer a tecnologia recuar”, declarou o executivo.

Um dos recursos lançados pela Palm é o “Life Mode” (modo vida, em tradução livre). O aparelho tem uma bateria de 800 mAh, que a empresa diz ser suficiente para durar oito horas com um único carregamento. É ruim para os padrões modernos, mas o conceito desse celular é justamente diminuir o uso para o menor nível possível.

Com o Life Mode ativado, as conexões Wi-Fi e de celular são desativadas quando a tela é desligada. Assim, a bateria dura um dia inteiro, mas você não vai receber ligações ou notificações a menos que esteja usando o telefone.

Com uma tela de 3,3 polegadas, ele é 0,2 polegadas menor que o primeiro iPhone. As especificações também são de outra era. Ele tem 3 GB de RAM, processador Snapdragon 435 e 32 GB de armazenamento.

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Um recurso retrô que não está de volta no aparelho é a saída para fone de ouvido. Você tem uma única porta USB-C e um único botão virtual. Os fones de ouvido sem fio se conectam por Bluetooth, e você precisa puxar a área de notificações do Android para ajustar o volume.

A Palm também diz que o aparelho é um vestível grandão, que pode ser usado com uma faixa ou pulseira em atividades físicas. Ele tem acelerômetro, Glonass (sistema de localização alternativo ao GPS), GPS, sensor de proximidade, bússola e giroscópio para realizar o monitoramento de seus exercícios.

A câmera traseira de 12 megapixels não impressiona, mas resolve o trabalho. A câmera de selfie de 8 megapixels também tem suporte a desbloqueio por reconhecimento facial. Como ela é única, não há nenhum recorte na tela, mas isso também quer dizer que ela não é muito segura.

Quem usa iPhone vai ter um trabalhinho a mais. Você vai precisar desativar o iMessage toda vez que mudar para o Palm. Por isso, fãs da Apple podem preferir ficar com o Apple Watch com 4G nos momentos em que quiserem dar um tempo na tela.

A questão real é se os consumidores verão o Palm como uma alternativa melhor aos smartwatches em geral. Havia quem não acreditasse no tablet quando o iPad saiu e, hoje, poucos questionam a utilidade do aparelho. Hoje, 24% das casas americanas já contam com um alto-falantes inteligentes.

A Palm pode ter vislumbrado o futuro ou apenas feito um celular barato que pode ser usado com outro propósito caso os usuários não mostrem interesse nele. Nós achamos que a ideia de ter um celularzinho que parece com o primeiro iPhone tem lá seu apelo.

[The VergeTechCrunchVariety]

Imagem do topo: Palm