Em uma era onde as empresas estão ficando mais focadas, mais concentradas, mais enxutas, a Panasonic adotou sem culpa a filosofia de que mais é mais. Milhares de produtos? A Panasonic pensa em um milhão de produtos. Mas esse déficit de atenção não é um problema?

Há muitos argumentos contra ser uma empresa que faz televisores 3D de 152 polegadas e aquecedores faciais e ainda compra empresas para vender ainda mais produtos diferentes – é só perguntar pra Sony. Mas e daí que a Panasonic tem quatro modelos de aparador de pelos do nariz? Se ela os estiver fazendo bem – e se isso não estiver distraindo a empresa dos seus principais negócios – não tem problema.

Como diz o New York Times, o desempenho financeiro da Panasonic piorou recentemente, mas a empresa segue firme com a ideia de fazer tudo:

"É verdade que nossos negócios se expandem por uma grande área", disse o presidente Fumio Ohtsubo em entrevista recente nos escritórios em Tóquio da Panasonic, cuja sede fica em Osaka. "Mas não é tão difícil quanto você deve imaginar." Na verdade, o novo impulso da Panasonic de vender seus produtos em países mais pobres, como a Índia e a Indonésia, já gerou sucessos. Assim como o estímulo à tecnologia 3D, dita a próxima revolução em home entertainment em países ricos como EUA e Japão.

A Panasonic ainda quer, nos próximos três anos, expandir as vendas para US$11 bilhões em países como Brasil e China. O presidente Ohtsubo diz que a Panasonic "tem grandes expectativas para países emergentes".

Pode ser que um dia as megaempresas como a Panasonic tenham que vender parte dos seus negócios para aliviar o peso – como a General Electric fez nas últimas décadas. Mas até lá, continue fazendo o que você faz de melhor, Panasonic. Maior não quer sempre dizer melhor, mas com certeza é mais legal. [New York Times]