A pandemia acelerou a digitalização de vários aspectos da vida e dos negócios, como e-commerce, telemedicina, streaming e educação remota. Esta é a avaliação de dois pesquisadores da CTA, empresa que organiza a CES.

“O meu exemplo favorito é do streaming. O Disney+ levou cinco meses para atingir 50 milhões de assinantes. A Netflix demorou sete anos para atingir esse número.” Steve Koenig, vice-presidente de pesquisa da CTA. Ele também destaca que a chamada “inteligência das coisas” — que engloba inteligência artificial, aprendizagem de máquina, robótica, processamento de linguagem natural e cloud computing — está ganhando força.

A saúde continua se digitalizando para atender a uma demanda cada vez maior. “Mesmo antes da pandemia, os recursos digitais para saúde cresceram muito. Há maneiras de acompanhar a saúde física e mental usando a tecnologia”, diz Lesley Rorhbaugh, diretora de pesquisa da CTA. Na feira, há alguns exemplos, como Epsy, Propeller, Akili Labs, Dreem e Welldoc.

A parte de saúde digital também se expandiu nos vestíveis. Agora, eles vão além de pulseiras. Há aparelhos como o Oura Ring, um anel que já foi usado até pela NBA para monitorar o risco de COVID-19 entre jogadores. Outro exemplo é o BioButton, um botão que fica acoplado ao peito do paciente e faz um check-in dos sinais vitais com apenas um toque.

A inovação digital na saúde inclui também robôs em hospitais para fazer triagens — uma forma de reduzir o risco de contaminação dos profissionais da linha de frente –, uso de inteligência artificial em diagnósticos e realidade aumentada e realidade virtual na medicina, como o uso do HoloLens, da Microsoft, para facilitar o acompanhamento de pacientes e o treinamento de profissionais.

A pandemia também forçou diversos pequenos negócios a adotarem a digitalização de suas atividades como forma de sobreviver ao distanciamento social necessário para combater o vírus, segundo Koenig. Ele deu o exemplo de academias e escolas, que precisaram migrar para o digital, e tribunais, que precisaram recorrer à tecnologia para continuar com seus procedimentos.

A adoção de robôs também foi lembrada pelos dois palestrantes. As máquinas passaram a realizar tarefas como limpeza, controle de estoque e entregas, como comentou Rorhbaugh. Outro setor que passou por um impulso de transportes, com carros autônomos e elétricos, conectividade entre veículos e mobilidade como serviço, como patinetes elétricos. A GM, por exemplo, é uma empresa a embarcar na tendência da eletrificação de veículos, aderindo ao movimento que já conta com montadoras asiáticas e europeias.

Mesmo o 5G recebeu um impulso com a pandemia, com aumento nos investimentos de infraestrutura e também pesquisa e desenvolvimento. Além dos empregos relacionados à conectividade, o padrão vai ajudar nas tecnologias de cidades inteligentes, como quiosques automáticos, sensores conectados e rastreamento de contatos.

Outra tendência destacada pelos pesquisadores da CTA é o de prédios mais inteligentes e seguros, que contarão com tecnologias de limpeza e purificação do ar, monitoramento de ocupação e distanciamento social, além de tecnologias sem contato ou ativadas por voz.