Um dos perigos de antropomorfizar robôs — dando a eles nomes, papéis e fisionomia quase humanas — é que quando eles perdem seus empregos (tirados de nós, humanos genuínos) nas fábricas japonesas, a gente quase fica com pena dos safados.

Esta é a situação atual no Japão, onde a produção industrial caiu 40%, deixando hordas de trabalhores mecânicos sem ter o que fazer.

E fica pior (para os robôs): as vendas de robôs industriais caíram  mais ou menos 60% no primeiro trimestre do ano, o que infelizmente trará impacto mesmo para pessoas de fora do mundo da manufatora. Por quê? Ora, quem você acha que paga por todos aqueles projetos ridículos de robôs que a gente adora publicar por aqui? Sim, são os mesmos caras que não estão conseguindo vender nenhuma unidade da nova linha Catalytic Converters Assemblybot 3000s ou algo assim. Basicamente, não apenas os robôs vão continuar perdendo os seus empregos, como vão deixar de ser considerado bacanas!

Num contexto mais amplo, isso também é meio perturbador. Uma nova população com pouca perspectiva e em um clima político precário é a clássica receita do totalitarismo. Só que essa população é de robôs — e eu não gosto nem um pouquinho de pensar nisso. [NYT]