Buracos negros armazenam uma enorme quantidade de energia, e pesquisadores da Universidade de Columbia, nos EUA, e da Universidade Adolfo Ibáñez, no Chile, sugerem que é possível extrair essa energia — pelo menos teoricamente.

Felipe Asenjo, professor da Universidade Adolfo Ibáñez e um dos autores do estudo, explicou ao Digital Trends que, se duas partículas de matéria carregadas de energia ao redor de um buraco negro estivessem no lugar certo e fossem afastadas a uma velocidade próxima à da luz, uma dessas partículas cairia no buraco negro enquanto a outra ganharia energia escapando dele.

Ou seja, a teoria proposta é que seria possível extrair a energia do buraco negro por meio de partículas no momento em que elas tentam escapar do horizonte de eventos — a região ao redor do buraco negro da qual só é possível fugir a uma velocidade superior à da luz.

Luca Comisso, pesquisador da Universidade de Columbia, explica que os buracos negros costumam ser cercados por uma espécie de “sopa quente” de partículas de plasma com campo magnético. De acordo com o estudo, quando essas linhas do campo magnético se desconectam e reconectam, elas podem acelerar as partículas, transformando sua carga em negativa, e, assim, extrair grandes quantidades de energia do buraco negro.

Comisso ressalta, no entanto, que o estudo ainda é limitado ao campo teórico. “Fizemos os cálculos usando as estruturas teóricas da relatividade geral e da física do plasma”, explicou ele ao Digital Trends.

O próximo passo agora é mostrar a grandeza desse sistema de extração de energia. Para isso, os pesquisadores pretendem utilizar supercomputadores para realizar simulações numéricas, já que a complexidade do modelo vai exigir enormes capacidades de processamento.

[Digital Trends, Phys.org]