Estamos muito felizes ao mexer em nossos telefones por horas a fio, mas você já parou para pensar e perguntar a esse pequeno em suas mãos se ele está seguro?

Claro que não. Porque é um produto comercial sem alma.

Embora esse fato não tenha impedido Marc Teyssier, da Telecom Paris, na França, e seus colegas de desenvolver capinhas para smartphone seriamente perturbadoras que imitam o toque macio da pele humana. É um conceito que eu tenho certeza que o pessoal da Netflix já planeja usar no próximo episódio do Black Mirror: coloque um desses “nacos de pele” no dispositivo e ele será capaz de detectar e responder a cada toque, cutucada e cócegas como uma pele seria para várias aplicações em potencial que não são excêntricas.

A interface é chamada Skin-On e consiste em uma pele artificial que foi programada para entender gestos e toques, além de emoções específicas às quais essas interações estão vinculadas. Um toque leve permite que o telefone saiba que você quer atenção, apertando-o com força ele entende que você está com raiva, enquanto acariciá-lo pode ser interpretado como conforto.

Na real, um dos possíveis usos listados no vídeo de prova de conceito do Skin-On é a “comunicação tátil com um avatar virtual”. Se esse projeto conseguir ultrapassar o estágio de protótipo, você saberá que essa capinha terá algum tipo de aplicação sexual.

A interface parece tão inquietante quanto você esperaria, o que faz sentido, considerando que o conceito veio primeiro de um desejo de beliscar seu telefone, disse Teyssier à New Scientist. Se isso lhe parece um desejo bizarro de alguém, como referência, esse é o mesmo cara que ajudou a criar um dedo robótico para o telefone, então ele tem uma reputação de se interessar por tecnologias relacionadas à toque. É um conceito único que chegou até o seu doutorado, conforme ele explicou ao Gizmodo por e-mail:

“Exploro o toque na interação humano-computador. Quando conversamos com alguém pessoalmente, às vezes, usamos o toque para transmitir afeto, emoções e, geralmente, enriquecer o discurso. Agora que a comunicação mediada é realizada através dos dispositivos, perdemos o senso da modalidade de comunicação por toque”

Porém, replicar artificialmente até o mais simples dos toques humanos está longe de ser fácil. Todo o software e hardware dos principais protótipos da equipe levou três meses para ser construído, e pregar um material com uma pele artificial provou ser um processo particularmente complicado.

“A restrição era desenvolver algo que fosse elástico e que também pudesse detectar o toque”, disse Teyssier à New Scientist.

De acordo com o vídeo da equipe, os protótipos vêm em duas versões diferentes: uma opção simples e de um tom único e uma opção ultra-realista para o exigente apreciador de carne falsa. E, assim como a pele humana, é composta de várias camadas: fio de cobre flexível entre uma epiderme e hipoderme de silício moldado para se parecer com a textura da pele. A equipe também cobriu um touchpad de laptop e smarwatch com as interfaces Skin-On para demonstrar seus usos potenciais além de apenas telefones.

O próximo passo para essas abominações é o Simpósio ACM sobre software e tecnologia de interface do usuário em Nova Orleans, onde a equipe da Telecom Paris, a HCI Sorbonne University e do Centro Nacional Francês de Pesquisadores apresentarão seu trabalho. Teyssier disse ao Gizmodo que não iniciou este projeto com nenhuma aplicação futura específica para os protótipos, mas “para propor um futuro possível com dispositivos antropomórficos”.