Em novembro, a humanidade conseguiu uma grande proeza no espaço: pela primeira vez, pousamos em um cometa. A sonda Rosetta deixou a Terra há mais de dez anos rumo a um objeto irregular cuja órbita fica entre Marte e Júpiter. Ela liberou o módulo Philae, que conseguiu pousar com sucesso e perfurar o cometa, mas teve que entrar num estado de hibernação.

Não mais! Esta manhã, o Philae despertou no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, de acordo com a ESA (Agência Espacial Europeia).

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O módulo teve que hibernar porque caiu na sombra de um penhasco, onde seus painéis solares não podiam obter energia o suficiente. “Nenhum contato seria possível, a menos que os painéis solares recebam luz o suficiente para gerar energia e acordá-lo”, explicou a ESA em novembro.

Agora, o cometa está mais perto do Sol. Os cientistas esperavam que o Philae começaria a receber mais luz solar, e foi isso o que aconteceu.

O módulo se comunicou por 85 segundos com a sonda Rosetta, que está orbitando o cometa. Foi o primeiro contato em sete meses.

No entanto, parece que o Philae esteve acordado, mesmo que brevemente, nesse meio tempo: “nós recebemos dados históricos; até então, o módulo não pôde nos contatar”, diz a ESA. Ele tem mais de 8.000 pacotes de dados guardados na memória; os cientistas estão esperando pelo próximo contato para baixá-los.

Afinal, por que cientistas resolveram enviar um módulo para estudar um cometa? Há vários motivos. O Philae encontrou moléculas orgânicas no cometa, que podem servir como evidência de que os cometas trouxeram vida à Terra.

Ele também possui um instrumento para recolher dados sobre isótopos de hidrogênio, e assim determinar o quanto de água da Terra pode ter se originado de cometas.

Tudo isso tem como objetivo testar a panspermia, ou seja, a hipótese de que a vida – ou as suas partes essenciais – se originaram em outros lugares, viajando pelo espaço em cometas e asteroides que colidiram aqui.

Além disso, o Philae pode nos ajudar a entender a origem do nosso sistema solar. Antes de o Sol e os planetas se formarem, eles eram uma nuvem de gases e poeira. Os cometas preservam parte dessa nuvem, como se fossem uma cápsula do tempo. [ESA via io9]

Imagem por ESA