As ações estão caindo! As ações estão caindo! Se você parou de acompanhar o IPOcalipse do Facebook na sexta, talvez seja hora de puxar uma cadeira de novo. O FB despenca 12% no momento em que escrevo isto e não há sinais de que haverá uma recuperação desse mergulho. Ops…

Mas não se preocupe! Há uma explicação perfeitamente plausível para isso. A verdade é que desde a primeira negociação o Facebook caminhava em direção a esse estado de pânico.

Aí vem a queda

Você provavelmente sabe que o valor inicial das ações do Facebook foi de US$ 38. E isso é verdadeiro o bastante, tecnicamente. Mas as únicas pessoas que aproveitaram esse valor de US$ 38 foram grandes bancos e seus clientes. Aquelas operações ocorreram na manhã da última sexta, antes do FB chegar oficialmente à NASDAQ, e elevaram o valor a US$ 42 antes que elas fossem publicamente negociadas.

O que isso significa? Ainda que o FB tenha fechado a sexta em US$ 38 (fazendo parecer que a subscrição de Zuck acertou na mosca o valor do IPO), ele já tinha na realidade perdido aproximadamente 10% durante as negociações abertas a todos, as que realmente importam. Na prática foi ainda pior.

Piso artificial

Eis aqui o problema de definir preço em um IPO: é uma ciência inexata. Na verdade, é mais uma magia negra feita engenhosamente para captar a maior grana possível para os cofres da estreante. Se as ações disparam imediatamente após o início do pregão, então o IPO poderia ter sido mais caro, o que significa que a empresa e seus conselheiros financeiros deixaram de ganhar. Se não, todo mundo perde dinheiro. Além de ser meio constrangedor.

O segundo ponto é mais importante do que você pensa. Bancos vendem seus serviços baseados em reputação e desempenho, e um fiasco no terceiro maior IPO da história dos EUA seria uma ótima maneira de assustar futuros clientes. Foi por este motivo que eles despejaram milhões e milhões de dólares para sustentar o preço na sexta.

Tabela mostrando o quanto os bancos seguraram o preço do Facebook.

Esta tabela do Business Insider (via @bourbon_meyer) talvez pareça só um amontoado de números, mas na terminologia do mercado financeiro é um “Braveheart”. Vê aquele número enorme perto do US$ 38? Aquilo é a quantidade de ações que o Morgan Stanley e outros subscritores do Facebook estavam dispostos a absorver para terem a certeza de que o preço não cairia abaixo do inicial. SEGUUUUUUUUUUUUUURA.

Esse tipo de comportamento não é exclusivo de IPOs de grande porte como o do Facebook; é, na realidade, uma operação padrão. Mas o volume insano de sexta puxando o valor para baixo significou que o Morgan Stanley teve que colocar um volume igualmente insano de dinheiro para segurar o preço. Para colocar isso em termos simples: US$ 38 é a barragem, o rio é todo mundo querendo vender ações do Facebook e o Morgan Stanley era o dedo de um bilhão de dólares tapando o buraco.

Hoje, ele tirou o dedo.

O que é justo é justo

Para ser sincero, não deveria ser tão surpreendente o fato de que as ações do Facebook estão caindo; se muito, é um alívio que o mercado esteja evitando o deslumbramento irracional que pode indicar — ou mais provável neste caso, contribuir para — uma bolha terrivelmente ruim. A empresa foi avaliada em US$ 104 bilhões! Isso simplifica bastante as coisas, claro, mas em sua taxa atual de lucratividade, o Facebook levaria um século para chegar a esse valor.

O Facebook nunca valeu US$ 104 bilhões. E o IPO nunca teve por objetivo levar o preço das ações à estratosfera. Há um motivo para que praticamente todo investidor pioneiro significativo — incluindo Mark Zuckerberg — tenha vendido dezenas de milhares de ações antes da estreia na sexta. Era, fácil, o melhor preço a que elas chegariam num futuro próximo. Em paralelo a isso, o Facebook tem US$ 16 bilhões extras no banco. Todos ganham, assumindo que você já seja um bilionário.

Então hoje, sem banqueiros com uma reputação a zelar dando aquela força, as ações do Facebook estão caindo para um patamar que condiz com o que ele é: uma empresa de mídia rentável e guiada por anúncios que permanece uma incógnita em áreas-chave como a móvel, mas que está virtualmente garantida como lucrativa a médio prazo. E quando as ações estiverem baratas o suficiente, elas começarão a subir novamente. E então de volta para baixo e depois para cima e para baixo e para cima, na mesma passada aleatória a que todas as ações estão sujeitas.

Às vezes o primeiro passo é estranhamente bizarro.